Rio, 24 (AE) - Cinco alunos de balé clássico das favelas da Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo e Mangueira vão fazer um estágio em uma das mais prestigiadas escolas de dança de Berlim, na Alemanha, a Staadtliche Schule. As crianças fazem parte do projeto "Dançando para Não Dançar", que atende cem menores de sete a dez nos em comunidades carentes da cidade. As crianças vêm chamando a atenção por terem um nível técnico bem acima da média, a despeito das adversidades que enfrentam.
O convite para o estágio de 15 dias na escola alemã foi feito pela empresa aérea Lufthansa, que estará inaugurando no dia 18 de março a linha Rio-Berlim. "Eles convidaram a mim e a cinco de meus alunos", contou a professora e diretora do projeto, Thereza Aguilar. "Mas eu não sou capaz de escolher entre eles". Para selecionar os alunos que embarcarão para a Alemanha, Thereza decidiu fazer um teste, que será realizado no sábado, frente a uma banca formada por bailarinos do Teatro Municipal.
A diretora está exultante com o convite. "É a melhor escola de Berlim", afirmou. Ela mesma já estudou lá e a indicou para os representantes da Lufthansa que a procuraram com a proposta. Segundo ela, são oito horas de aula por dia. "Eles ensinam de tudo: desde o balé clássico até danças típicas de outros países, além de história da dança". Chance - Não é a primeira vez que o esforço da professora e de seus alunos é recompensado. Diversas crianças do projeto já foram aprovadas na escola de dança Maria Olenewa, do Teatro Municipal, ganhando novas experiências, longe da violência dos morros onde moram.
O índice de aprovação dos alunos de Thereza é bem maior do que o de qualquer academia de dança da zona sul. Há duas semanas, foi marcado mais um tento: foram aprovados sete dos dez alunos do projeto inscritos na concorrida prova de seleção da escola do Teatro Municipal, na qual 900 crianças inscritas disputavam 25 vagas.
"Elas dedicam-se muito mais que as crianças de classe média", disse. "As aulas são a chance de achar um novo caminho na vida".

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