Sâo Paulo, 23 (AE) - Os alunos da Faculdade de Filosofia
Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) realizaram hoje uma paralisação para discutir um problema que vem crescendo a cada ano no instituto: a falta de professores. Desde 1991, a faculdade perdeu cem docentes, principalmente em razão das aposentadorias. O envelhecimento do corpo docente ainda atuante indica que a situação não deve ser resolvida tão cedo. "Cerca de 50% dos professores têm mais de 50 anos e estarão se aposentando em breve", explica o diretor da faculdade, Francis Henrik Aubert.
Enquanto a USP mantém, no geral, a média de 1 professor para 12 alunos, na FFLCH a proporção é de 1 para 37. "Não temos verba para contratação", afirma Aubert. Segundo ele, há algum tempo, a universidade vem sofrendo com o esvaziamento. "Com a autonomia universitária, 30% do orçamento da USP ficou comprometido com o pagamento dos inativos", diz. "Sobra pouco muito pouco para ampliar".
A atual situação da economia também afetou o orçamento da universidade. A verba da USP vem da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), 5,029%. Com a crise, diminuiu também a arrecadação e, em consequência, o orçamento da universidade. "É preciso resolver o nó da Previdência para voltarmos a ampliar o quadro de professores", diz Aubert.
Profissionais da USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) - as universidade que têm autonomia - estão discutindo no Ministério da Educação (MEC) uma reformulação do projeto. "É necessário resolver quem vai pagar a Previdência dos inativos", afirma Aubert. Os professores aposentados recebem o salário integral.
Os estudantes participaram hoje de ciclos de discussões sobre a falta de professores, as consequências na formação dos alunos e os motivos que levaram ao esvaziamento da universidade. "Vamos informar toda a comunidade sobre o problema", diz o estudante do 4.º ano de ciências sociais, Maurício José Lopes.
A situação é mais crítica no Instituto de Letras. Segundo o estudante de linguística Leandro Tibiriçá de Camargo Bastos, algumas matérias estão sendo dadas para duas classes ao mesmo tempo. "Os alunos têm de sentar-se no chão e, algumas vezes, até no corredor para assistir à aula", diz. "As matrículas em algumas disciplinas deixaram de ser efetuadas, pois não há professor suficiente para todas as turmas", afirma Leandro.

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