Alunos do último ano do curso de enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) fizeram muito barulho no Calçadão de Londrina, em protesto realizado na manhã de ontem. Eles queriam chamar a atenção para a falta de professores na instituição, que já está prejudicando os estudantes antes mesmo do início das aulas, previsto para a próxima segunda-feira.
Os manifestantes empunharam diplomas cortados pela metade, como símbolo dos obstáculos para a formação dos alunos. As faixas e coros de protesto apontaram o descaso do governo estadual, que proibiu novas contratações de docentes e deixou lacunas em vários cursos. Três disciplinas do 4º ano de enfermagem estão sem professor, de acordo com os alunos: Psiquiatria, Fundamentos de Enfermagem e Médico-Cirúrgico. A falta de supervisores impede a turma de cumprir estágio no Hospital das Clínicas (HC) e no Hospital Universitário (HU).
''Como nossas atividades começaram no dia 1º de março, nós já estamos sofrendo com o problema. Mas a partir do dia 22, a situação vai ficar ainda mais crítica, para todo mundo'', alertou a aluna Caroline Duarte, 20 anos. Ela ressaltou que a falta de docentes irá atingir outras séries do curso, e deverá afetar, principalmente, as atividades práticas. ''A gente corre o risco de quererem dar um 'jeitinho'. Já sugeriram, por exemplo, que cumpríssemos a carga-horária, que é destinada a estágios, estudando na biblioteca'', afirmou Grazielle França, 19.
A UEL já avisou ao Estado que tem um déficit de 190 docentes em toda a instituição. ''Não há nenhum curso que não esteja sendo atingido'', garantiu o pró-reitor de Graduação da UEL, Jairo Pacheco. Segundo ele, o governo solicitou que as universidades estaduais enviassem dados sobre a atual distribuição de carga-horária entre os docentes, para avaliar as reais necessidades de contratação. A entrega dessas informações está marcada para o próximo dia 22.
Até receber uma resposta do governo, a UEL está remanejando disciplinas para ocupar horas vagas. Pacheco admitiu, contudo, que esse artifício não serve para cursos como o de enfermagem, onde os alunos fazem rodízio em módulos especiais. ''Vamos estudar se existe outra solução para eles'', declarou. O pró-reitor espera que o governo defina toda a questão até abril. A partir daí, calcula, o processo de seleção de professores deverá levar entre 4 e 5 semanas.

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