Alunos da PUC fazem protesto contra falta de verbas para cursos de pós
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Eugênio Melloni 
São Paulo, 02 (AE) - A Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo poderá extinguir cursos de pós-graduação por causa da redução dos valores e de atrasos na liberação de verbas de agências oficiais de fomento à pesquisa e capacitação de docentes, de acordo com o reitor Antônio Carlos Caruso Ronca. Hoje, alunos de pós-graduação recorreram ao rapel - esporte radical em que alpinistas escalam edifícios com o auxílio de cordas - para protestar contra a redução de recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o fim de um programa de financiamento da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível superior (Capes).
Ato - "O rapel simboliza a situação da pós-graduação na PUC, que está por um fio", afirmou o coordenador-geral da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Felipe Chiaretto de Souza Pinto. Durante o protesto, vários alunos subiram e desceram pela fachada do prédio da universidade, onde estenderam uma enorme faixa negra com os dizeres "soberania" e "educação". "Estamos próximos do ponto em que não conseguiremos mais arcar com os custos dos cursos de pós-graduação", acrescentou Ronca. Ele teme uma redução abrupta no número de alunos em alguns cursos, principalmente a partir do fim do pagamento de taxas escolares - os recursos que vão direto das instituições de fomento para a universidade, para o pagamento das mensalidades dos cursos - do Programa Institucional de Capacitação Docente e Técnica (PICDT), anunciado pela Capes para o próximo semestre.
Segundo reitor, não é função da PUC agir como agência de fomento e absorver os custos. A PUC já está registrando uma redução do número de bolsistas contemplados por esse programa dos 409 alunos em 1999 para 271 no ano 2000.
Negociação - Segundo o reitor, a universidade está negociando com a direção do CNPq a atualização dos valores das taxas escolares. O CNPq reduziu, desde março de 1998, o valor das taxas de R$ 241,51 para R$ 144,90 para os cursos de mestrado e de R$ 357,63 para R$ 214,58, para o doutorado, segundo o reitor.
As mensalidades do mestrado, segundo Ronca, oscilam em torno de R$ 550,00 e as do doutorado superam os R$ 600,00. "A diferença entre os valores das taxas e das mensalidades está sendo bancada pela PUC", diz o reitor. "Se não houver uma solução, teremos de cobrar as mensalidades diretamente dos 500 bolsistas do CNPq."
O reitor acrescenta que, além de reduzidos, os recursos do CNPq estão chegando com atraso, com um acúmulo de dívida total de R$ 1,6 milhão, que vem desde 1996. A Assessoria de Imprensa do CNPq confirma a redução das taxas, mas nega que ocorram atrasos.


