São Paulo, 17 (AE) - Os vestibulandos que participaram hoje da primeira fase do exame da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, ouvidos pela reportagem, consideram a prova de Inglês a mais difícil do vestibular. "Os textos foram longos e muito técnicos", disse o candidato Luiz Yamauchi, de 18 anos. Segundo ele, as alternativas dos testes eram parecidas, o que causou confusão na hora de dar a resposta. As avaliações de Física e Química também estavam complicadas, na opinião dos alunos, principalmente porque exigiam domínio de fórmulas e pouco raciocínio.
Apesar da chuva forte pela manhã, dos 3.280 candidatos apenas 38 faltaram à prova, o que representa 1,15% de abstenção. A coordenação do vestibular fechou o portão alguns minutos depois do previsto por causa da chuva. A prova da FGV é considerada uma das mais concorridas na área de administração. São cerca de 16 candidatos por vaga. A lista dos convocados para a segunda fase será divulgada no dia 30. O segundo exame ocorrerá em 7 de novembro. A lista de aprovados será divulgada em 20 de novembro.
A candidata Daniela Vidal Milioni, de 18 anos, achou os textos retirados dos jornais The New York Times e The Economist compreensíveis, apesar de terem muitos jargões técnicos da área econômica. "Mas as respostas parecidas me deixaram em dúvida entre duas ou três alternativas, o que me prejudicou."
A prova de Física exigiu mais conhecimento técnico do que interpretação e raciocínio - o que já era esperado pelos vestibulandos. "Para responder às questões era preciso saber a fórmula; não dava para resolver por dedução", disse o estudante Maurício Takahashi, de 18 anos. Já o exame de Química surpreendeu alguns alunos, pois não continha questões sobre ambiente como esperavam. "As perguntas ligavam a química ao cotidiano", explicou o vestibulando Lucas Junsakajiri, de 18 anos, que, no geral, achou esta prova mais fácil que o exame de julho. Segundo a estudante Assamy Tsuji, de 17 anos, a tônica da prova de Biologia foi a ecologia.
Tensa antes do início da prova, a candidata Mariana Moura, de 17 anos, estava apreensiva com a prova de História, pois, segundo ela, tem muitos detalhes. "Achei que não fosse ter sorte, mas fui bem", afirmou ela, que considerou a prova fácil. As questões, segundo Mariana, foram baseadas em textos de história geral. "Caíram poucas questões de história do Brasil."
O exame de Geografia estava fácil, segundo a maioria dos estudantes entrevistados. Estephani Blumen, de 18 anos, disse que os gráficos e mapas facilitaram a resolução das questões. "A prova teve tanto questões de teoria quanto de atualidades, como uma pergunta sobre Kosovo", disse Estephani.
Injustiça - O coordenador de Inglês do Colégio e Curso Objetivo, Arnon Hollaender, considerou a prova da primeira fase injusta e difícil. "A avaliação não é coerente com o nível de maturidade dos alunos", disse. "O texto tirado da revista inlgesa The Economist exigiu não só conhecimento da língua, como também de economia e política", afirmou ele.
Para ele, os alunos devem ter tido dificuldade em responder às questões, pois muitas delas exigiram interpretação dos fatos. O texto do jornal The New York Times, sobre um julgamento nos Estados Unidos, estava mais fácil e adequado ao vestibular.
Segundo a professora de geografia Vera Lúcia da Costa Antunes, do Objetivo, a avaliação teve algumas imprecisões, o que deve ter prejudicado os alunos. "O mapa da questão 53 estava errado ao considerar que o clima temperado estende-se até o norte da Argentina", afirmou ela.
A prova de História surpeendeu o professor Francisco Alves da Silva, do Objetivo, ao ter muitas questões de história antiga e média. "A tradição da FGV é pedir história contemporânea." As demais provas foram consideradas fáceis pelos professores do Objetivo.

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