Alunos comprovam falta de acessibilidade em Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de março de 2013
Lucio Flávio Cruz<BR>Reportagem Local 
Londrina - Alunos do curso de Engenharia Civil da Unifil sentiram ontem na pele as dificuldades enfrentadas por cadeirantes e deficientes visuais para percorrerem ruas, calçadas e acessar estabelecimentos comerciais e edifícios de Londrina. Falta de rampas, de piso tátil, buracos, degraus, sinalização precária e falta de respeito são alguns dos obstáculos que dificultam o dia a dia destas pessoas.
Os futuros engenheiros percorreram algumas vias do Centro Avenida JK e Ruas Goiás, Paranaguá e Alagoas com o objetivo de perceber as dificuldades de quem necessita de acessibilidade. "Esta vivência na prática vai ser fundamental no momento em que eles forem conceber um projeto", explicou a professora Silvia Guimarães, da disciplina de Acessibilidade e Gestão Ambiental Urbana.
A primeira dificuldade encontrada pelo alunos, que percorreram as vias em quatro cadeiras de rodas, foi a falta de rampas para atravessar de um lado para outro das ruas. Na JK, a sinalização vertical permitia o estacionamento na frente de uma guia rebaixada, o que impedia a passagem de um cadeirante. "Londrina não está bem preparada. É muito obstáculo por todos os lados. Eu sozinho não conseguiria me locomover", frisou o estudante do 3º ano, Antônio Carlos Garcia, 33 anos.
No passeio pelas calçadas foi difícil seguir sem desviar dos obstáculos. "É muito desnível, oscilação. Eu mesmo não consegui passar pois a calçada estava bloqueada por uma obra. Tive que desviar pela rua", ressaltou Guilherme Soares, 19 anos. "Acho que se as pessoas viessem conhecer na prática estas dificuldades, a situação poderia melhorar."
Lucas Morais, 25 anos, usou uma venda nos olhos e uma bengala para sentir as dificuldades enfrentadas pelos deficientes visuais. O estudante não conseguiu prosseguir pelo piso tátil em virtude de um veículo estacionado sobre a faixa. "Não consegui sentir a diferença entre o tátil e o paver. Talvez o piso tátil devesse ser um pouco mais alto", sugeriu. Em muitas calçadas não há o piso tátil e em outros trechos eles não estão sincronizados.
Joice Santos, 23 anos, acredita que os engenheiros não podem se preocupar apenas com as normas técnicas que regulamentam a acessibilidade na hora de um novo projeto. "É preciso ver o lado humano e exigir políticas públicas de atendimento. É necessário pensar em todo o entorno de uma obra e nas pessoas que vão utilizar este espaço", analisou.
Para a professora Silvia Guimarães, Londrina já teve uma evolução grande na questão da acessibilidade, apesar de todos os problemas encontrados pelos alunos. "Claro que não está 100% preparada. Até porque não dá para ir de zero a 100 em um curto tempo. Mas, estamos no caminho. E a engenharia pode e deve contribuir para isso", ressaltou.


