Belo Horizonte - Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) podem ser expulsos da instituição por causa de um trote considerado racista e com apologia ao nazismo. Essa é uma das penalidades previstas pela comissão de processo administrativo-disciplinar criada ontem pela universidade para apurar o caso.
O trote ganhou repercussão após estudantes divulgarem fotos em redes sociais da internet mostrando uma aluna pintada de preto, acorrentada e com um cartaz pendurado no pescoço com a inscrição "caloura Chica da Silva". Era uma referência a Francisca da Silva de Oliveira, escrava alforriada que viveu com um rico comerciante de diamantes no século XVIII na atual Diamantina (MG). Uma segunda foto mostra um calouro amarrado a uma pilastra com estudantes fazendo a saudação nazista ao seu lado.
Segundo a assessoria da UFMG, a comissão, integrada por professores e funcionários administrativos da instituição, tem 30 dias para dar um parecer sobre o caso. A expulsão é a penalidade mais grave, mas o regimento da universidade prevê também a possibilidade de os estudantes receberem advertência ou serem suspensos por um período de dez a 30 dias.
A repercussão do trote também mobilizou diversas entidades. Aproximadamente 300 pessoas participaram na tarde de ontem de reunião promovida pela Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel) e pelo Movimento Mulheres em Luta (MML) no Centro Acadêmico Afonso Pena (CAAP), localizado na Faculdade de Direito da UFMG. Os estudantes divulgaram uma carta de repúdio contra o trote "respaldado pelas diversas opiniões manifestadas pelo corpo discente".
O documento afirma também que o Centro Acadêmico "repudia veementemente o assédio virtual que tem recaído sobre os protagonistas das fotos". "Devem ser respeitados os direitos individuais de todos os envolvidos", afirma o texto.

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