Londrina - Um estudante de 16 anos foi expulso de sala ao se recusar a participar de uma oração. O caso aconteceu na última semana no Colégio Estadual General Carneiro, no município de Roncador (Centro).
O momento de reflexão havia sido pedido por uma professora no início da aula de inglês. Ao se rejeitar a levantar, como os demais, o adolescente foi retirado de sala. ''Ele chegou em casa e revelou o que havia acontecido. Não gostei, isso não poderia ter acontecido porque o nosso Estado é laico e a escola é pública. Ele se sentiu discriminado ao ter que sair da sala'', indignou-se o tio do jovem, Wanderson Flores da Rocha.
Ele denunciou o caso junto à direção do Colégio e à Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea). A entidade tem mais de 115 mil seguidores nas redes sociais e recebe, em média, uma denúncia diária de discriminação. ''É uma questão cultural e realizada há mais de 500 anos no Brasil. O que chama a atenção é que de uns tempos para cá as pessoas têm denunciado esses abusos com maior frequência'', revelou o presidente Daniel Sottomaior.
A Atea enviou ofício à escola apontando a irregularidade do ato. O caso foi debatido junto ao Conselho Escolar, que deliberou pelo fim de qualquer manifestação religiosa em sala de aula. O Núcleo de Educação de Campo Mourão lembrou que não há recomendação alguma para realização de culto religioso ne rede estadual de ensino.
No entanto, ontem, a mesma professora desrespeitou a norma. ''A professora pediu um minuto para realização de uma oração silenciosa em sala de aula. Ela deixou escolha livre aos estudantes. Meu sobrinho ficou sentado de novo e desta vez não foi colocado para fora, mas ela desrespeitou a norma da direção'', criticou Rocha.
Procurada pela Reportagem, a diretora Neusa Schmidt de Oliveira não quis se pronunciar. O chefe do Núcleo não foi localizado.

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