São Paulo, 11 (AE) - Um aluno da 8ª série do 1º grau ofendeu e derrubou no chão a professora de matemática, deu um soco numa policial militar e mordeu o braço de um PM. Isso tudo porque a professora repreendeu o aluno - André Luiz das Graças Caldas, de 21 anos -, afastando dele um colega com quem conversava durante a aula. Caldas foi preso em flagrante e acusado de injúria, ameaça e resistência à prisão. Ao depor, disse estar arrependido e negou ter agredido a policial.
A confusão na sala de aula ocorreu ontem, às 21 horas, na Escola Estadual de Primeiro Grau Mário de Andrade, na Rua Joaquim Nabuco, no Campo Belo, zona sul de São Paulo. Caldas e um colega estavam conversando durante a aula de matemática quando a professora Regina Célia Schoba Dezotti, de 50 anos, resolveu separá-los.
A professora mandou que o outro aluno sentasse duas carteiras à frente da que estava ocupando. De acordo com ela, por causa disso, o aluno passou a ofendê-la repetidamente. A professora afirmou ter pedido ao estudante que ele parasse com aquilo, mas, como não foi atendida, apanhou o livro de ocorrências da classe a fim de registrar o caso. Nesse momento, o aluno levantou-se e saiu da sala. Pouco depois, ao retornar, segundo a professora, Caldas avançou em sua direção e chutou a cadeira na qual estava. A cadeira virou, Regina Célia caiu no chão e mandou um outro aluno chamar o diretor da escola.
O diretor mandou Caldas deixar a sala de aula mas, quando estava conversando com a professora, o aluno voltou e disse: "Se eu for expulso da escola, você vai ver." A policial militar Gisele Aparecida Campagna, de 30 anos, que estava na escola, ouviu os gritos na sala de aula e interveio.
Ela afirmou que, ao chegar na sala, pediu a Caldas que se acalmasse e a acompanhasse à delegacia. O aluno recusou-se. De acordo com a policial, ele agrediu-a com socos e tentou tomar-lhe a arma, um revólver calibre 38. A policial correu e trancou-se em uma sala a fim de chamar reforço. Passados alguns minutos, chegaram à escola outros quatro policiais militares. Um deles, o soldado Jairo Meza da Silva, de 28 anos, tentou conter o estudante, mas Caldas mordeu-lhe o braço - mais tarde, o policial foi levado a um hospital, onde tomou uma dose de vacina antitetânica.
Finalmente dominado, o estudante foi levado ao 27º Distrito Policial, onde foi autuado em flagrante. "Ele me disse que fez isso tudo porque estava com a cabeça quente", disse o delegado Reinaldo Correa. Ao depor, o estudante afirmou que, após separá-lo do amigo na sala de aula, a professora perguntou-lhe se estava sentindo falta do colega com quem estava conversando. Por isso, ele confessou, ofendeu Rosa Célia e chutou a cadeira em que ela estava sentada, derrubando-a. Disse ainda que não voltou para a sala com o objetivo de ameaçar ninguém, mas para apanhar seus cadernos.
O aluno negou ter agredido a policial Gisele. "Ela quis pôr a mão em mim e eu disse para ela não me tocar", afirmou. Caldas também disse que não tentou apanhar a arma da policial. Mas confessou ter recusado acompanhar os policiais à delegacia e ter mordido o braço do soldado Silva porque o estavam segurando fortemente. No fim, Caldas afirmou estar arrependido. Às 4 horas de hoje, pagou fiança de R$ 50,00 para responder às acusações em liberdade.

mockup