São Paulo, 29 (AE) - O estudante do sexto ano da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Frederico Carlos Jana Neto, de 24 anos, o Ceará, está preso no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo. Ele é acusado de envolvimento na morte do calouro Edison Tsung Chi Hsueh, de 22.
Hsueh morreu durante trote violento em 22 de fevereiro deste ano na Associação Atlética Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina. Seu corpo foi encontrado por um segurança no fundo da piscina na manhã do dia 23. Ceará foi preso no fim da noite de ontem, na Casa do Estudante, na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, onde mora há alguns anos.
A prisão temporária, por cinco dias, foi decretada pela juíza Silvia Martinez, da 4.ª Vara do Júri, de Pinheiros, a pedido do Ministério Público. Na gravação de um cinegrafista amador durante uma festa de universitários numa choperia, no fim do mês de abril, ele diz, em tom de brincadeira, ter matado o calouro.
Hoje, no DHPP, para a polícia e para seu advogado, Guilherme Battochio, o rapaz negou o crime. Disse que tudo "não passou de uma brincadeira". Chorando, repetiu seguidas vezes aos policiais não ter feito nada. A promotora Eliana Passarelli, que acompanha as investigações e concordou com a prisão temporária, admite que a confissão possa ter sido uma brincadeira. Mas adverte que agora Ceará é quem terá de provar não ter nenhuma participação no trote que resultou na morte do calouro no dia da apresentação dos que estavam chegando à faculdade.
"Ele confessou, está gravado em fita e contra ele pesam ainda acusações de calouros que descreveram a maneira como ele aplicou o trote." Eliana explicou ainda que outros veteranos estão sendo investigados.
Afogamento - O Instituto Médico-Legal (IML) atestou a morte como afogamento. A promotora e o delegado Marcelo Damas, do DHPP, que preside o inquérito, não acreditam em morte acidental. Eles falam em assassinato. O engenheiro Ming Feng Hsueh, pai de Edison, ao saber da prisão do veterano, disse hoje que espera justiça e o culpado seja punido. "Os responsáveis precisam ir para a cadeia."
A sindicância da Faculdade de Medicina, que tinha como objetivo apurar o que aconteceu no dia do trote, foi concluída na segunda-feira. Vários veteranos foram identificados como responsáveis pelo trote violento. A apuração foi realizada por um professor de direito, um de medicina e outro de educação física. Além de calouros, veteranos e vigias, prestaram declarações à sindicância os legistas responsáveis pela autópsia e convidados, como o professor Gyorgy Miklos Bohm, titular de patologia da Faculdade de Medicina.
João Alberto Del Nero, procurador-geral da Universidade de São Paulo, informou hoje ter sido uma "grande" coincidência a conclusão da sindicância e a prisão do estudante. A reitoria não sabia sobre as investigações da polícia. "A prisão dele foi uma surpresa para nós e queremos saber o que pesa contra ele no Departamento de Homicídios", adiantou o procurador-geral da USP.
Segundo Del Nero, os alunos apontados pela sindicância como responsáveis pelo trote violento deverão ser punidos com advertência, suspensão e até eliminação da escola. Ceará é um dos estudantes relacionados.

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