Brasília, 29 (AE) - Aumentou em três anos a expectativa de permanência na escola de crianças de cinco anos no País, entre 1991 e 1997. Isso significa que, nessa idade, em 1997, o aluno brasileiro tinha a expectativa de estudar 14,8 anos em qualquer nível de ensino, independentemente de ser reprovado - em 1991 eram 11,8 anos. O resultado põe o Brasil à frente de países como a Grécia, o México e a Indonésia, mas atrás da Argentina e do Uruguai.
É o que mostra o relatório Investindo em Educação: Análise dos Indicadores Educacionais Mundiais 1999, preparado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Divulgado hoje no Brasil pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, o documento revela que a expectativa de permanência na escola cresceu prioritariamente no ensino fundamental e médio, com variação mínima no 3.º grau.
"Houve um ganho claro: aumentou a permanência dos alunos, enquanto vêm caindo os índices de repetência", disse Paulo Renato. Semelhante ao cálculo da expectativa de vida da população, a expectativa de permanência na escola indica quantos anos as crianças provavelmente estudarão, consideradas as taxas de matrícula por idade registradas em 1997. Isso não significa que os alunos vão chegar à faculdade nem mesmo concluir o ensino médio. Apenas mostra o tempo que permanecerão na escola.
O "ganho" apontado por Paulo Renato resulta da análise do relatório levando em conta a redução das taxas de repetência e abandono. Entre 1990 e 1997 a taxa de repetência no ensino fundamental caiu de 34% para 23%. No ensino médio, de 32% para 19%. A queda ocorreu também nas taxas de evasão: de 6% para 4%, no ensino fundamental, e de 8% para 7% no ensino médio, no mesmo período. Se os alunos estão passando mais tempo na escola e as taxas de repetência e evasão, caindo, a conclusão é que haverá um aumento da escolaridade da população nos próximos anos, segundo o ministro.
Análise - Para o técnico em estatística do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) Ivan Almeida, a diminuição da evasão e o fato de as crianças ingressarem na escola mais cedo são os principais responsáveis pelo aumento da expectativa de permanência no sistema de ensino. A expectativa de permanência no ensino superior, no entanto, subiu de 0,6 para 0,7 ano.
"Isso mostra que quase ninguém chega lá", observou Almeida. Na Argentina, esse indicador é de 2,4 anos e, nos Estados Unidos, 3,7 anos. "O problema da expansão do ensino superior no Brasil é a falta de alunos", disse Paulo Renato. Segundo a presidente do Inep, Maria Helena Guimarães de Castro, apenas 7% da população de 18 a 21 anos estão na universidade, enquanto só 36% da população de 17 anos conclui o ensino médio nessa idade.

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