Aluno agride professora com socos em colégio cívico-militar na zona norte
Marcia Rocha levou pontos no olho e passou por exame de lesão corporal no IML; boletim de ocorrência foi registrado e NRE adotará as “medidas cabíveis”
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quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Marcia Rocha levou pontos no olho e passou por exame de lesão corporal no IML; boletim de ocorrência foi registrado e NRE adotará as “medidas cabíveis”

A professora Marcia Luciana da Rocha, 61, de um colégio estadual cívico-militar da zona norte de Londrina, foi agredida em sala de aula por um estudante de 14 anos nesta segunda-feira (24). O menino desferiu repetidos socos na parte de trás de sua cabeça e rosto, sendo que a mulher levou pontos no olho e passou por exame de lesão corporal no IML (Instituto Médico Legal). Os envolvidos, incluindo o pai do jovem, foram encaminhados a uma delegacia, onde um boletim de ocorrência foi lavrado. O NRE (Núcleo Regional de Educação) acompanha o caso.
Rocha é docente há mais de duas décadas, recém-chegada no colégio há um mês. Ela ensina Português, Redação e Leitura ao 8º ano, em uma turma de cerca de 30 alunos, incluindo o menino que a agrediu. O episódio ocorreu por volta das 18h, cerca de cinco minutos antes de a aula ser finalizada. O garoto pediu para ir ao banheiro e a professora pediu para ele aguardar o sinal tocar.
“Ele insistiu, e como eu tinha dado a aula inteira para produção de texto, eu falei ‘então, deixa eu ver seu caderno’. Aí ele começou a me chamar de vaca, e eu fui pra porta pedir para o tenente tirar ele da sala de aula. Como ele sabia que eu ia fazer isso, ele correu na frente, me trancou e arrebentou o chaveiro da escola, quebrou um elo da corrente”, recordou a professora.
Quando ela foi pegar a chave da porta, “ele veio por trás e começou a me dar socos na cabeça, desferiu vários socos e não parava. Aí eu não me mexi, não revidei, só fiquei de costas ali, até que os alunos vieram, seguraram ele e afastaram ele de mim”. Rocha estava “zonza” neste momento, indo até a sua mesa, enquanto os estudantes que a defenderam seguravam o menino no fundo da sala.
“Eu falei ‘ah, valentão, você gosta de bater?’ Aí ele veio correndo e me deu um soco no olho, quebrou meu óculos e levei ponto. Foi sangue para tudo quanto é lado, na mesa, no chão, na minha roupa, e as meninas ficaram tremendo e chorando. Enquanto isso, eu vi ele empurrando e agredindo os alunos, que podiam ter caído e batido a cabeça. Ele foi agressivo não só comigo, mas com quem tentou segurar ele também, mas ele queria vir pra cima de mim de tudo quanto é jeito, ele queria escapar”, lamentou a professora. Com o jovem contido, ela tirou uma foto de seu rosto ensanguentado e enviou ao grupo da escola, quando o tenente chegou e a retirou do local.
Edemas na cabeça
Após o ocorrido, Rocha se dirigiu a uma delegacia para que fosse elaborado um boletim de ocorrência. O menino esteve lá com o pai, que disse que estava envergonhado e “não sabia o que dizer”. Na tarde de terça (25), a professora foi submetida a um exame de lesão corporal no IML. “O médico tirou fotos e viu os vários edemas na minha cabeça, porque foram muitos socos, e eu não sei se ele bateu com a mão ou com uma madeira, que é o chaveiro da escola, de 15 centímetros”, pontuou, dizendo que segue com dores.
Ela procurou o NRE de Londrina, informada que o aluno cometeu três crimes: desacato, visto que Rocha estava trabalhando, agressão física e violação ao Estatuto do Idoso. Disse ainda que seu filho quer que ela tome providências no âmbito jurídico, mas a mulher considera que o “cenário ideal” seria a recuperação do menino. “Se ele faz isso em uma sala de aula, ele vai fazer isso com uma mãe idosa e com outra pessoa. Meu filho falou que eu poderia ter perdido a vida porque eu não deixei o menino ir ao banheiro cinco minutos antes de bater o sinal, e eu disse que não sei deixar os alunos à vontade pra fazer o que eles querem, eu realmente me preocupo com eles”.
Correr risco de morte
Lembrando de casos recorrentes de agressão contra professores no ambiente de trabalho em Londrina, Rocha contou que se sente desprotegida na profissão que escolheu exercer. “Dando aula em uma sala de aula, a gente não conhece o aluno e estamos correndo risco de morte. Não temos segurança, eles não respeitam nem os tenentes, é terrível ver”, lastimou.
Ela fez um apelo para que as autoridades “olhem com mais carinho para o professor”, visto que o ataque sofrido por ela pode “acontecer com qualquer um, como tem acontecido”. “A gente não tem proteção, não ganhamos periculosidade ou insalubridade”, finalizou.
Adoção de medidas cabíveis
Em nota, o NRE informou que está ciente da agressão e que a equipe escolar seguiu os procedimentos necessários, “prestando o suporte necessário à comunidade escolar e adotando as medidas cabíveis”. “Após o ocorrido, as autoridades competentes foram acionadas, foi registrado Boletim de Ocorrência e a profissional recebeu atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sendo afastada das atividades conforme atestado médico”, completou. Marcia Rocha retorna ao colégio na próxima segunda (31).


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


