Brasília - Das mulheres que escreveram a redação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) em 2014, 55 deram "depoimentos contundentes" sobre o tema violência contra a mulher - como vítimas ou como testemunhas. O Ministério da Educação vai publicar, em seu portal, orientações para que elas tomem a iniciativa de procurar o Ligue 180, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.
"Como temos o compromisso do sigilo, queremos evitar o contato direto com as mulheres que relataram preocupantes situações de estupro e violência, principalmente porque o agressor pode ser uma pessoa muito próxima", disse o ministro Aloizio Mercadante. "Por isso, as recomendações serão divulgadas publicamente."
Segundo ele, o tema foi importante não só por levar mais de 5,8 milhões de participantes a refletirem sobre a violência contra a mulher, mas para reforçar o combate a essa prática - que, só no ano passado, resultou em 634.862 denúncias ao Ligue 180. Apenas 104 candidatos obtiveram nota máxima - 1.000 - no texto, enquanto 53 mil receberam zero (não incluídos os que não compareceram ao segundo dia de provas ou, por algum motivo, como falta de tempo, não elaboraram a redação).
Em 2014, 529.373 zeraram a redação. A comparação não é possível, porém, porque este foi o primeiro ano em que os anos que deixaram a redação em branco não foram "zerados".
Houve uma maior concentração de candidatos na faixa de nota entre 501 e 600 pontos, um desempenho considerado "satisfatório", segundo o ministro Mercadante. O grupo que tirou entre 901 e 999 aumentou em relação à edição anterior. Em 2015, foram 47.770, enquanto em 2014 foram 35.719.

mockup