Mesmo que o corante em um produto obedeça aos limites de segurança, é difícil prever quais outros itens coloridos serão consumidos junto com ele. No caso do vermelho bordeaux, comum em gelatinas de sabor cereja, a ingestão diária aceitável (IDA) da substância, segundo a FAO, equivale a quatro porções da sobremesa por dia para uma criança de 30 kg - considerando que ela não se alimente de nenhum outro item que contenha este corante, o que é difícil. Ele também aparece em balas, chicletes e outras guloseimas.

Com 25 anos de experiência em aplicação de corantes naturais, o pesquisador Paulo Roberto Nogueira Carvalho, do Instituto de Tecnologia dos Alimentos (Ital), acredita que a busca por ingredientes mais saudáveis ganhou força no Brasil. ''A principal vantagem é a segurança, já que os corantes naturais são usados há muito mais tempo pelo homem do que os sintéticos'', diz.

Alguns corantes naturais, como a cúrcuma, do açafrão, têm propriedades terapêuticas. ''Ela é capaz de matar células cancerosas do tipo melanoma, responsável por tumores de pele. Fizemos estudos in vitro sobre isso'', conta a bioquímica Lídia Giullo, da Universidade Federal de Goiás (UFG). A pesquisa dela faz parte de um projeto mais amplo da UFG, de caráter multidisciplinar, que investiga a cúrcuma desde 1997. ''A curcumina, presente na cúrcuma, foi capaz de combater a salmonela e os coliformes em queijos e frangos nas pesquisas que fizemos'', conta o engenheiro de alimentos Celso José de Moura, um dos coordenadores do estudo. (Agência Estado)

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