Curitiba- Cinco meses de viagem por 13 Estados das cinco regiões brasileiras resultaram na publicação de 192 páginas, nas versões em português e inglês, chamada ''Do Avesso ao Direito'', que retrata em textos e imagens, a realidade de crianças e adolescentes brasileiros. A escritora Paloma Klisys e a fotógrafa Iolanda Huzak procuraram registrar iniciativas, a maioria não-governamentais, que mostram a capacidade do brasileiro de achar alternativas para superar o caos da pobreza e da falta de acesso a direitos básicos como saúde e educação com propostas simples, mas que funcionam.
''Não se trata de uma abordagem sensacionalista. Não é para colocar o foco na falta e brincar com a estética da miséria'', destacou Paloma. A intenção, continou, é reconhecer o potencial das pessoas para superar barreiras, apesar da escassez de recursos.
O ''avesso'' é tratado pelas autoras como tudo ''o que não está a serviço da vida'' e o ''direito'' como ''tudo que determina a qualidade do presente e perspectivas do futuro''. ''Transitar do avesso ao direito é transitar entre o que é legal e o que é legítimo, entre a legalidade e a legitimidade''.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que, para Paloma, é uma evolução na legislação brasileira, foi usado como base para a pesquisa. Antes de colocar o pé na estrada, as autoras tiveram acesso a mais de 100 projetos. Desse total, 28 estão catalogados no livro, que tem a parceria do Instituto Ayrton Senna e da montadora Audi.
Paloma não revelou preferência por um ou outro projeto. ''Todos chamaram a atenção'', disse. Mas citou um realizado em Santa Catarina. Trata-se do ''Casa Familiar Rural'', que estimula a permanência dos filhos de agricultores no campo. É uma experiência francesa, que está sendo adaptada à realidade brasileira. Jovens de 14 aos 21 anos alternam períodos de estudos e de prática em projetos que são desenvolvidos para as propriedades rurais em que vivem e trabalham. Foi também naquele Estado que a escritora se deparou com uma outra realidade: a do trabalho infantil em plantações de fumo.
O livro não tem a pretensão de apontar soluções para que o ECA possa ser de fato aplicado em toda sua amplitude, observou a escritora. ''As mudanças acontecem em processo. Nós é que somos responsáveis pela transformação desses ''brasis'' afora. Por isso eu acredito em micropolíticas e reforço minha crença em projetos e ações como essas'', declarou.
A dupla não passou pelo Paraná, mas Paloma garante que o Estado não ficará de fora do projeto. Ela disse que a intenção é dar continuidade em um trabalho multimídia de investigação da realidade, rotulando outras ações nos demais Estados brasileiros.
''Do Avesso ao Direito'' é seu segundo trabalho publicado. Paloma escreveu seu primeiro livro ''Qual é o Barato'', em 1999, quando tinha 17 anos. Trata-se de um ensaio-reportagem sobre o uso de drogas entre jovens das periferias de São Paulo.

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