Altas empobrecem prato dos mais pobres
A nutricionista Camila Maria da Silva, da Associação Prato Cheio, ONG criada para reduzir o desperdício e minimizar os efeitos da fome na cidade de São Paulo, lembra que os alimentos, a exemplo de outros produtos, têm os preços determinados por influências econômicas, políticas e climáticas. Os reflexos destas oscilações para a população, de acordo com Camila, são extremamente negativos.
''Com o aumento dos preços de alguns alimentos, a população altera sua lista de compras, incluindo na dieta alimentos industrializados, ricos em gordura, açúcares e sódio (substratos que barateiam os produtos) e que levam a problemas de saúde.'' A nutricionista observa que, em outros casos, onde o poder financeiro é bem mais baixo, não é possível fazer a substituição, resultando na diminuição das calorias e nutrientes fundamentais para a manutenção da normalidade das funções do organismo. ''O quadro fica ainda mais preocupante quando falamos de grupos suscetíveis a algum tipo de deficit nutricional, como crianças, idosos e enfermos'', ressalta Camila.
Além da estabilização da economia e dos outros fatores capazes de frear as variações dos preços dos produtos alimentícios, a nutricionista diz que há algumas formas simples de manter o prato saudável e seguro nutricionalmente (qualidade e quantidade adequada), sem grandes alterações nos gastos mensais. Entre elas estão a promoção da agricultura familiar (alternativa à monocultura), a escolha de alimentos da época (baratos e nutritivos) e o uso integral do alimento. (S.L.)





