Alta do trigo não inibe crescimento do mercado de massas
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 18 (AE) - Nem o aumento no preço do trigo, por causa da desvalorização cambial, prejudicou o crescimento no mercado de massas no Brasil. A venda de macarrão deve crescer 7% no varejo este ano. A produção total deve aumentar menos, 2%, por causa da queda nas vendas para a composição de cestas básicas, fortes nos dois anos anteriores e em queda este ano porque o governo reduziu o envio de cestas para o Nordeste.
O faturamento, por causa do aumento do preço, deve subir 12% este ano, de acordo com a Associação Brasileira de Massas Alimentícias (Abima). "Esperávamos um crescimento entre 7% e 10%, mas perto de outros setores, 2% é muito bom", diz o presidente da Abima, Aluísio Quintanilha. No varejo, o consumo está se sofisticando. O consumidor está preferindo as massas de melhor qualidade, com ovos, sêmola ou trigo de grão duro, apesar do preço maior.
A abertura do mercado para as importações, em 1990, é considerada pela Abima um divisor de águas no mercado. Com a entrada de massas importadas, o consumidor começou a conhecer produtos de melhor qualidade, consumidos na Europa. Os fabricantes nacionais também melhoraram seus produtos. Nos últimos anos, o consumo migrou das massas comuns para as massas com sêmola, com ovos e de grão duro. Esse segmento, que tinha apenas 1% do mercado em 94, agora já responde por 4% das vendas. Em São Paulo, o consumo do grão duro já chega a 10% do total. As massas importadas representam 1,5% do mercado brasileiro.
Para o gerente de trade marketing da J. Macêdo, Itaguacy Ibrahim, o consumo deve se sofisticar ainda mais. Ele acha que as massas de grão duro e instantâneas devem crescer bem acima da média nos próximos anos. "Apesar do preço maior, a melhor qualidade e a praticidade compensam, porque o preço unitário é muito baixo", diz Ibrahim. Além das marcas Premiata e Brandini, a J. Macêdo fabrica massas de marca própria para o Carrefour, Bompreço, Pão de Açúcar, Makro e Cooperhodia.
No varejo, as vendas vão passar de 836 mil toneladas, no ano passado, para 894 mil toneladas este ano. A venda institucional, para a composição de cestas básicas, deve ser 43% menor, caindo de 105 mil toneladas para 60 mil toneladas, semelhante ao volume vendido antes de 97. O instantâneo, depois do crescimento em 98, deve cair 11,5% e ficar em 58 mil toneladas.
O Brasil já é o terceiro produtor mundial, com volume de 1,027 milhão de toneladas este ano, atrás apenas da Itália, com 2,9 milhões de toneladas, e Estados Unidos, que produz 1,16 milhão de toneladas.
Mas o consumo per capita ainda é pequeno, comparado com outros países. Cada brasileiro consome em média apenas 6,1 quilos de macarrão por ano, enquanto na Itália chega a 28 quilos por ano.
Para aumentar o consumo, a Abima acredita que precisa trabalhar o aspecto cultural, já que o preço não é empecilho. Pesquisa da Abima mostra que o macarrão sofre preconceito. O produto é considerado muito calórico, e evitado por quem faz dieta e, principalmente no Nordeste, é considerado alimento "sem substância".


