Alta do preço para consumidor não beneficia produtor de álcool
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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 05 (AE) - Apesar dos preços do álcool terem registrado um aumento de até 50% nos postos de combustíveis no último mês, os produtores não estão se beneficiando desta elevação de preços, segundo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, superintendente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) e do Sindicato da Indústria de Fabricação do álcool no Estado de São Paulo. Segundo ele, os preços pagos ao produtor caíram de forma expressiva a partir do final do ano passado, atingindo seu menor nível em abril/maio de 1999, pressionado pelo aumento expressivo dos estoques do produto, que chegaram a 2,8 bilhões de litros no final da safra 1998/99. "Agora os preços pagos ao produtor estão se recompondo gradualmente, ficando no final de outubro a R$ 0,29594 por litro ante R$ 0,16532 no final de maio", disse.
A expectativa dos produtores é de que o preço pago ao produtor atinja o nível ideal de R$ 0,4134 por litro, que é um nível próximo ao registrado em maio de 1997, antes da desregulamentação do setor. "O litro a R$ 0,4134 possibilitaria ao produtor voltar a investir no setor e criar empregos", disse.
A forte queda nos preços do litro do álcool na "bomba" (nos postos de combustíveis) que chegaram a cobrar entre R$ 0 422 e R$ 0,566 nos últimos meses, deveu-se à uma prática de dumping por parte dos distribuidores em uma tentativa de conquistar mercado após a desregulamentação do setor, segundo o superintendente da Unica. Segundo ele, muitas distribuidoras conseguiram cobrar menos porque deixavam de recolher impostos ou porque reduziram suas margens. "Agora, a partir de setembro, quando o governo mudou a forma de recolher o ICMS, a sonegação ficou mais difícil e os postos estão tendo que cobrar o preço real do álcool, que até o momento não estava sendo cobrado", disse.
Segundo ele, em setembro, o preço real do álcool - contendo o preço pago ao produtor, mais margem de revenda, distribuidora e impostos - era de R$ 0,6559 por litro, mas chegou a ser vendido a R$ 0,458. Em outubro, o preço "real" era de R$ 0,7381, mas os postos chegaram a cobrar R$ 0,566. Por outro lado, os estoques de álcool já não estão tão elevados, o que tem auxiliado também a recuperação dos preços do combustível. De maio até outubro, os preços pagos ao produtor subiram R$ 0,13 por litro enquanto o preço na bomba subiu cerca de R$ 0,21.
Carvalho disse também que o atual preço ao produtor pretendido pelo setor - de R$ 0,4134 por litro - é semelhante ao preço registrado em maio de 1997 e não contém os aumentos de custos de 29,53% (de acordo com a Fundação Getúlio Vargas) provocados pela desvalorização cambial do início deste ano. Segundo Carvalho, em maio de 1997 o preço real do litro do álcool era de R$ 0,8238, mas com o subsídio da "Conta álcool", este preço caia para R$ 0,6938 enquanto o litro da gasolina era de R$ 0,8060, criando uma paridade de 85%. "Agora, o subsídio não existe mais e isto também contribuiu para o aumento do preço ao consumidor", disse. Ele afirma que o preço ideal do álcool na bomba é de R$ 0,93 e que este preço teria uma paridade de 76% em relação ao preço do litro da gasolina cobrado hoje, entre R$ 1,22 e R$ 1,42.
Carvalho disse também que a média do custo de produção do litro de álcool é hoje de R$ 0,35 e o setor continua trabalhando no prejuízo. Segundo ele, o setor sucroalcooleiro assinou um acordo com toda a cadeia produtiva de que continuará abastecendo o setor automotivo mesmo que o açúcar registre uma alta de preços no mercado externo. Carvalho disse também que não sabe se a meta de remuneração para o produtor pretendida pelo setor será atendida e também não sabe qual o nível de preço que o álcool atingirá para o consumidor final mas ele disse que ele não terá uma vinculação com o preço da gasolina. "O preço do álcool não será pré-fixado ao da gasolina", disse ele.


