Brasília, 22 (AE) - A secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, disse hoje que a alta ocorrida nos preços internacionais do petróleo farão com que o saldo comercial deste ano fique próximo de US$ 4 bilhões. Ela explicou que, no acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a previsão era algo entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões. "Ficará mais próximo a US$ 4 bilhões", admitiu. "Se for o caso, a equipe econômica vai se reunir para rever essa estimativa, mas por enquanto isso não é necessário."
O petróleo será responsável também pelo aumento no volume de importações na terceira e na quarta semanas de março, em comparação com o início do mês, segundo antecipou a secretária. "Como a Petrobras quase não comprou combustível nas duas primeiras semanas do mês por causa dos feriados, as compras se concentraram nas duas últimas semanas", disse Lytha.
O saldo acumulado do ano da balança comercial em março caiu de US$ 111 milhões para US$ 23 milhões da segunda para a terceira semana do mês. Lytha não acredita que o acumulado possa vir a ficar negativo em função das importações de combustíveis.
Até janeiro de 2000, o preço do petróleo já subiu 197,8% em comparação com o ano anterior. As compras caíram 24,4%, mas os gastos com a importação subiram 125,2%. O preço do barril em janeiro chegou a US$ 25,56 e é com essa média que o governo está trabalhando.
O superávit de US$ 78 milhões obtido na balança comercial de fevereiro foi resultado do crescimento das exportações de manufaturados (34,4% em relação a fevereiro de 99 e 27% em relação a janeiro) e de semimanufaturados (30,5% em relação a fevereiro e 14,4% em relação a janeiro de 2000), o que foi neutralizado pelo aumento das importações de 27,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Lytha ressaltou que no caso dos manufaturados, houve crescimento na quantidade exportada de 43,3% em relação a fevereiro do ano passado e de 29,1% em relação a janeiro. Houve, porém, uma queda nos preços destes produtos de 6,4% em relação a fevereiro de 1999 e de 1,6% em relação a janeiro. No caso dos semimanufaturados, houve um aumento tanto na quantidade exportada quanto em preço.
Em quantidade, as exportações de semimanufaturados cresceram 11,5% em relação a fevereiro e 3,4% em relação a janeiro. Em preço, as exportações de semimanufaturados em fevereiro aumentaram 11,5% em relação ao mesmo mês do ano passado e 3,4% em relação a janeiro. Entre os produtos básicos, a secretária ressaltou que houve aumento na quantidade de 3,4%, o que foi amenizado com o recuo nos preços de 7,5%.
A secretária reconheceu que a recuperação na área dos produtos básicos tem sido lenta, mas lembrou que no ano passado a queda nos preços nesta área estava em 30%. Este ano, informou, a queda está em 10%. As exportações totais em fevereiro totalizaram US$ 4,123 bilhões.
Além do petróleo, o aumento das importações em fevereiro
que totalizaram US$ 4,045 bilhões, deveu-se à compra de matérias-primas e intermediários, de US$ 586 milhões. Segundo ela, essas importações foram positivas porque refletem encomendas da indústria, o que é um indicador importante de retomada de atividade.

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