Brasília, 12 (AE) - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, deixou claro hoje que o aumento da taxa de câmbio não levará ao aumento da taxa de juros. Segundo Figueiredo, as taxas de juros serão utilizadas de acordo com a inflação. Se a inflação cair, os juros também poderão ser reduzidos. Mas se o contrário acontecer, o BC vai aumentar as taxas de juros.
"Não haverá mudança na taxa de juros porque a taxa de câmbio subiu ou desceu", disse Figueiredo, em entrevista depois de fechado o mercado financeiro, que hoje ficou pressionado pela deterioração da situação na Argentina. O dólar tem oscilado bastante nos últimos dias e fechou hoje a R$ 1,834, com alta de 1,89% em relação a sexta-feira.
"O modelo de Política Monetária que temos hoje está diretamente relacionado à inflação, portanto, a taxa de juros será modificada se tiver impacto no processo inflacionário", explicou o diretor do BC.
Figueiredo ressaltou, porém, que esse impacto não pode ser considerado pelo resultado da inflação a curto prazo, de um ou dois meses, mas ao longo dos meses. O diretor do BC fez questão dizer que, neste momento, a pespectiva de inflação é de queda. "Enquanto o processo de taxa de inflação for de baixa, o viés da taxa de juros também será de baixa", disse Figueiredo.
O instrumento de viés é a prerrogativa que o presidente do BC tem para alterar os juros nos intervalos das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que define a trajetória das taxas básicas de juros.
De acordo com Figueiredo, em um regime de câmbio flutuante é "normal" que a taxa de câmbio tenha variações. "O mercado é que tem que fazer a taxa de câmbio, não o BC", afirmou.
Ele acrescentou que a taxa de câmbio pode "acomadar choques de um lado para o outro", ou seja, da mesma forma que os vencimentos externos do Brasil pressionam a taxa o mesmo pode acontecer se o País receber um grande volume de investimentos estrangeiros diretos. "A taxa de câmbio é um amortecedor desses choques", disse.
Ele lembrou que nos últimos dois meses o câmbio ficou pressionado pelo grande volume de vencimentos externos. Mas agora, a partir do segundo semestre, os volumes serão menores.
Em julho, os vencimentos da dívida externa pública e privada somam US$ 4,2 bilhões e, em agosto, chegam a US$ 3,7 bilhões.

mockup