São Paulo, 20 (AE) - O economista Francisco Petros, da Nix Asset Management, afirma que a alta do dólar verificada esta semana pode ser considerada "exagerada" e fruto de um processo criado pelo próprio mercado. Considerando a cotação de R$ 1,9560
atingida há pouco pelo dólar comercial, a valorização da moeda americana frente ao real já chega a 61% desde a implantação do regime de câmbio flutuante. Petros diz que o País, de fato, enfrenta sérios problemas políticos e econômicos, mas nenhum deles é novo ou se agravou nos últimos dias.
"Que o País está cheio de problemas, isso não é novidade. Mas o dólar ultrapassou a casa de R$ 1,90 em um momento em que não havia fatos novos. Pelo contrário, a alta se intensificou quando começaram a surgir indícios de que os fundamentos estão melhorando", afirma o economista. Ele diz que o resultado divulgado ontem pelo BC sobre déficit em transações correntes significa uma melhora importante nas contas externas e que o governo, apesar de todas as dificuldades em promover o ajuste fiscal, não tem ampliado gastos de forma populista. O impasse dos ruralistas também não poderia ser o motivo de uma alta tão forte, em sua opinião, já que o governo tem tempo para negociar e não há nada definido sobre o assunto. "Temos problemas políticos, que afetam mais o longo prazo, mas não vivemos um momento de descontrole monetário que justifique essa valorização contínua e brusca do dólar", disse. "Não acho que existam fundamentos que sustente um dólar nesse patamar", afirmou. Francisco Petros acredita que, por se tratar de um movimento de "especulação", é provável que essa taxa recue por si só, sem necessidade de intervenção do Banco Central. "Está ficando muito caro manter posição comprada com o dólar a esse preço. Só continuaria comprando dólares quem está prevendo o caos, e eu não acredito que seja essa a aposta da maioria do mercado", afirma o economista. (Lucinda Pinto)

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