Alta de juros só serviu para BC mostrar ação, diz Campos
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 05 (AE) - O economista Roberto Campos disse hoje ter ficado surpreso com o aumento dos juros que, segundo ele, não tem mais a função de atrair capital estrangeiro e agrava o endividamento público. O tom da declaração não foi de crítica, no entanto. "Acredito que foi útil foi a demonstração de atividade do Banco Central, que andava muito inerte", destacou.
Para ele foi uma atitude cautelar para mostrar que a prioridade é uma política anti-inflacionária. "Se nós não controlarmos a inflação, todo o sacrifício implicado na desvalorização fica inutilizado", lembrou. "Espera-se que esta puxada de juros seja a última e curta", acrescentou. "O juro alto é desincentivo à atividade econômica e, portanto, ao emprego."
Campos defendeu a tese de que o governo deve acelerar as privatizações para atrair investimentos externos e recompor as reservas. Ele lembrou que a apresentação de um cronograma "confiável" deve atrair o dinheiro da privatização bem antes dos leilões.
O economista explicou que os investidores buscariam aproveitar a alta cotação do dólar. "O efeito viria antes da causa", afirmou.
Outro ponto importante nas privatizações, segundo Campos
é a atração de investimentos depois da venda. Ele lembrou que o preço de compra favorece os estrangeiros, que passarão a ter maior capacidade de investimentos posteriores.
O economista disse que, com a redução do preço das empresas em dólar nos leilões, o governo deve exigir maiores obrigações de investimentos após a privatização.
Campos, que esteve esta semana em Brasília com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ter conversado com ele sobre a necessidade de maior rigor no ajuste fiscal. "Este é o caminho para resolver a crise", disse. "Discutimos política geral, a solução para o juros é política fiscal."
O economista afirmou ainda que recomendou a Fraga uma articulação maior entre os três poderes. "É preciso harmonizar a sensação de crise", argumentou o ex-deputado federal e ex-ministro do Planejamento.
O que Fraga pode fazer neste momento, segundo Campos, é ajudar na conclusão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que implica em um programa fiscal mais severo e na abertura de linhas de crédito internacional, que, segundo ele, estão bloqueadas.
Para o economista, o presidente do BC tem de negociar com os bancos para a abertura de crédito comercial, em especial para exportações. "A prioridade deve ser induzir bancos estrangeiros e agentes de crédito a financiar as exportações brasileiras", sugeriu. "Ele tem de ir ao exterior e apresentar um programa convincente, infelizmente os programas anteriores não foram particularmente convincentes."
Posse - Campos tomou posse hoje na presidência do Conselho Municipal de Desenvolvimento do Rio, no Palácio da Cidade. Sua função será de interlocutor do município com agentes financeiros internacionais e órgãos do governo, como Banco Central e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre outros.
Participaram da solenidade o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, e o ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles.


