São Paulo, 4 (AE) - "Um eventual aumento dos preços dos combustíveis não altera em nada as metas inflacionárias do governo. Em 1999 a meta segue em 8%; em 2000, 6% e, em 2001, 4% com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, tendo como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)", disse à AGÊNCIA ESTADO o diretor de Política Monetária e Cambial do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, em entrevista por telefone na noite de ontem (3).
No Relatório de Inflação referente a junho de 1999 - e que formalizou a política de metas de inflação adotada pelo governo brasileiro, a orientadora da política monetária - o Banco Central explica que foi utilizada a hipótese de que a taxa de juro permaneceria constante de meados de 1999 a 2001. A taxa usada para a definição do leque de inflação foi 21% (Over/Selic)
definida na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada em 23 de junho.
Segundo o relatório do BC, o cenário principal contempla um choque positivo e um choque negativo na economia. Positivo é o choque agrícola verificado no segundo trimestre deste ano, que reduziu a inflação medida pelo IPCA em cerca de um ponto percentual. O relatório do BC não denomina como "negativo", mas evidentemente é, o choque derivado dos reajustes das tarifas dos serviços públicos e dos preços de combustíveis.
"O impacto desses reajustes foi estimado, de forma conservadora, como sendo igual a 1,2 ponto percentual ao longo do terceiro trimestre, e leva em conta efeitos diretos e indiretos. Além disso, parte do impacto já foi embutido no segundo trimestre", afirma o Banco Central em seu Relatório de Inflação, que deve ter o segundo exemplar divulgado em 22 de setembro.
Segundo o BC, na formulação do cenário principal que viabilizou as metas inflacionárias foram considerados ainda outros dois eventos: o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e as incertezas sobre a percepção, por parte de investidores internacionais, da evolução das economias emergentes. O BC contemplou a alta de 0,25 ponto no juro do Federal Fund no terceiro trimestre e a possibilidade de novos aumentos ao longo do segundo semestre.
Quanto aos países emergentes, as incertezas associadas à percepção do desempenho econômico durante este ano têm impacto sobre o risco Brasil e esta possibilidade também foi considerada no modelo de projeções da autoridade monetária. O BC insiste que
apesar dos choques adversos sofridos pela economia brasileira ao longo de 1999, e da possibilidade da ocorrência de novos eventos com efeito indesejado sobre a taxa de inflação, sua tendência continua sendo de queda.
O modelo utilizado pelo BC considera três graus ou intervalos de confiança nas projeções: 50%, 30% e 10%. Considerando o juro básico de 21% utilizado nos cálculos do leque de inflação em 1999, 2000 e 2001, no intervalo máximo de confiança (50%), o IPCA poderia oscilar ao final do quarto trimestre de 1999 de 6,3% a 10,2%; no intervalo de confiança médio (30%), a variação é de 7,2% a 9,4%; e, no intervalo mínimo (10%), o IPCA poderia variar de 7,9% a 8,6%.

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