Alta da tarifa de energia terá impacto na inflação de maio
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 08 (AE) - A alta da tarifa de energia elétrica não afetará o custo de vida de abril, mas poderá ter um impacto de 0,41 ponto percentual nos próximos três meses no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto Pesquisas Econômicas, se a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizar um aumento de 11,23% para a distribuidora Eletropaulo Metropolitana. Esse percentual é idêntico ao concedido hoje à Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).
Os cálculos são do coordenador do IPC da Fipe, o economista Heron do Carmo. Ele destaca que, se essa hipótese for confirmada, o maior impacto da alta da tarifa no custo de vida do paulistano deverá ocorrer em maio e junho, com 0,17 ponto percentual em cada mês. Em julho, o reflexo será menor, de 0,07 ponto percentual. O efeito será diluído aos longo de dois meses e meio, explica Heron, porque esse é o tempo que levará para que toda a população paulistana receba a conta de luz já com a nova tarifa.
"Esse percentual de aumento é elevado", diz Heron, ponderando, no entanto, que é melhor que o governo autorize a alta agora para que os reajustes não se acumulem mais para frente. A energia elétrica tem um peso significativo no IPC da Fipe e responde por 3,85% desse indicador.
O economista ainda não projetou a inflação para maio e junho, mas o aumento da energia elétrica reforça as previsões de que o segundo trimestre sazonalmente é o período de maior alta nos índices, afetados, especialmente pela coleção de inverno.
"A previsão de inflação de um dígito para o ano continua mantida", frisa o coordenador do IPC da Fipe, que aposta num índice inferior a 10%. Ele argumenta que já levou em conta os prováveis aumentos das tarifas de energia elétrica e da gasolina, quando calculou o IPC acumulado neste ano. Para este mês, Heron estima que o custo de vida do paulistano deverá oscilar entre 1% e 1,5%.
Combustível - No caso dos combustíveis, se for confirmada a perspectiva de que os preços venham a subir 11,5% nas refinarias de petróleo e 7,5% para o consumidor nos postos de gasolina novamente, Heron diz que não haverá reflexos no IPC da Fipe. Isso porque, faz exatamente um mês, houve um reajuste do produto com percentual semelhante. Como o índice já vem sendo afetado pelo reajuste antigo, argumenta, um novo aumento na mesma proporção não tem impacto estatístico. "É que está saindo um reajuste e entrando outro equivalente." Mas o coordenador afirma que, se não houvesse esse reajuste, o IPC poderia ter algum alívio.
A grande dúvida é saber quanto do aumento dos preços dos combustíveis vai chegar efetivamente nas bombas de gasolina. No mês passado, por exemplo, para um percentual de alta autorizada de 6% pelo governo, o preço do produto foi reajustado efetivamente em 4,88%, segundo o IPC da Fipe de março. A recessão e concorrência explicam o repasse menor para o consumidor.


