Londres, 14 (AE-AP) - A Alta Corte de Londres emitirá amanhã (15) decisão sobre os recursos da Bélgica e de seis grupos de direitos humanos que pedem a divulgação do relatório médico do ex-ditador chileno Augusto Pinochet.
A Bélgica e os grupos de direitos humanos apelaram duas vezes da decisão a fim de ter acesso ao parecer médico que levou o secretário do Interior britânico, Jack Straw, a afirmar que estaria disposto a liberar o regresso do general de 84 anos ao Chile, em vez de extraditá-lo para a Espanha, onde seria julgado por crimes de tortura cometidos durante seu regime ditatorial.
Uma junta de três juízes avaliou os últimos argumentos na semana passada, depois que outro juiz rechaçara inicialmente a primeira petição.
Straw recusou-se a revelar o relatório sobre a saúde de Pinochet - realizado no mês passado por um grupo de médicos independentes - amparado no direito de sigilo dos pacientes em seus exames médicos.
O advogado de Pinochet, Clive Nicholls, lembrou na junta na semana passada esse direito, ressaltando que a confidencialidade deveria ter maior peso que a opinião pública.
Entretanto, a Bélgica considera que deveria ter acesso ao laudo, já que pediu a extradição de Pinochet em nome de seus cidadãos que perderam parentes durante o regime encabeçado por Pinochet. Espanha, França e Suíça apresentaram solicitações semelhantes, mas só a Bélgica toma parte nessa ação judicial.
Pinochet, que tem diabetes e sofreu dois leves ataques apoplécticos no final do ano passado, foi preso em outubro de 1998 a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, quando se encontrava em Londres se recuperando de uma operação lombar. Desde então, o ex-presidente chileno é mantido em prisão domiciliar no subúrbio da capital britânica.
Em Santiago, a Fundação Pinochet informou hoje que a saúde do general estaria estabilizada, mas que o ex-ditador continua muito deprimido. De acordo com a fundação, parentes de Pinochet cancelaram uma viagem à Grã-Bretanha prevista para hoje a conselho de Lucía Hiriart, mulher do ex-ditador, que sugeriu que eles aguardassem a decisão de amanhã.
O argumento, segundo a fundação, é que se Pinochet puder finalmente regressar ao Chile, os parentes ficariam presos na capital britânica. Um avião da Força Aérea chilena permanece estacionado num aeroporto de Londres à espera do general.

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