Alta concedida para ônibus em Curitiba causa polêmica
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) estimam que a alta no preço das tarifas de ônibus em Curitiba poderia ser de no máximo 5%. A passagem iria de R$ 1,65 para R$ 1,73. Essa foi a variação no preço de todos os itens que, segundo a companhia que gerencia o transporte coletivo em Curitiba (Ubs), contribuíram para o aumento na passagem do transporte coletivo. A alta de 15,1%, que entrou em vigor no domingo, elevando a tarifa para R$ 1,90, foi suspensa temporariamente ontem pelo prefeito em exercício, Beto Richa (PSDB). A prefeitura e a Urbs ainda não chegaram a um consenso sobre a situação.
O primeiro aspecto controverso é o preço do óleo diesel. A presidente da Urbs, Yára Eisenbach, afirmou anteontem que o combustível subiu 2,5% em dezembro. Contudo, o economista do Dieese, Cid Cordeiro, afirmou que é preciso levar em conta o preço de todo o período desde a última mudança tarifária, que foi em maio do ano passado. Nesse caso, segundo Cordeiro, está constatado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) que o preço do óleo diesel caiu 8,58% nas distribuidoras de maio a dezembro de 2003. ''As empresas de transporte coletivo compram o combustível das distribuidoras e todo mês uma pesquisa de preço precisa ser feita'', argumenta Cordeiro.
Pelas contas do Dieese, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), além do óleo diesel, que caiu 8,58%, a variação no preço das peças e acessórios foi de 3% e não de 26,25% como afirma a Urbs, os lubrificantes subiram também 3% e não 12,68% e os custos de capital aumentaram 10% e não 24,85%, como diz a Urbs.
A CUT e a Força Sindical sugerem a criação de um conselho para fiscalizar e discutir as planilhas da Urbs. ''Queremos a democratização na discussão do preço das tarifas'', defendeu o presidente da CUT, Roni Anderson Barbosa. ''É inadmissível que o aumento tenha sido anunciado na sexta-feira à noite, pegando muitas pessoas desprevenidas na segunda'', criticou o vice-presidente da Força Sindical, Manasses Oliveira da Silva.


