São Paulo, 17 (AE) - A São Paulo Alpargatas se prepara para ter este ano, um dos maiores lucros da sua história, podendo ultrapassar os R$ 28,2 milhões de 98, segundo informações de analistas, que não são confirmadas pelo seu presidente Fernando Tigre. Tigre prefere afirmar apenas que "tudo está indo bem", ao comentar que até 30 de setembro o lucro estava em R$ 14,7 milhões, sem o diferimento da desvalorização cambial, que foi feita de uma só vez no primeiro semestre.
A decisão de não parcelar o impacto da desvalorização cambial sobre a empresa, permitiu que se limpasse de imediato o balanço, causando prejuízo. Foi um impacto de R$ 23,6 milhões, explicou o diretor financeiro da São Paulo Alpargatas, Francisco Cespedes. "A companhia está enxuta e caminhando bem", diz Tigre. "No terceiro trimestre manteve a liderança na fabricação e comercialização de calçados no Brasil, com o desenvolvimento e lançamento de novos produtos. Continuamos a gerar resultados positivos e valor para os nossos acionistas e comunidades onde estamos presentes".
A situação é tão boa na São Paulo Alpargatas que a empresa vai realizar o pagamento antecipado de dividendos no total de R$ 1,9 milhões. A valorização das ações preferenciais da empresa, acumulada nos nove meses de 1999, chegou a 43%. Cespedes explicou que a coligada Alpargatas Santista Têxtil contribuiu para o bom resultado do trimestre encerrado em 30 de setembro com uma equivalência patrimonial positiva de R$ 7,9 milhões.
Segundo Tigre, as vendas brutas da São Paulo Alpargatas chegaram a R$ 412,8 milhões, ou seja, um crescimento de 9,2% em relação a igual período de 98. A sua margem bruta foi de 39,6% , tres pontos acima da margem acumulada até setembro de 98. As despesas administrativas também cairam. Em igual período de 98 eram de 8,2%. Agora chegaram a 7,8%.
O lucro operacional foi de R$ 39,2 milhões, antes da despesa extraordinária com a variação cambial, cresceu R$ 22,5 milhões em relação a 98. O efeito da variação cambial de R$ 26,3 milhões foi totalmente reconhecido como despesa no resultado do período. O endividamento líquido em 30 de setembro foi de R$ 14 5 milhões, o que equivale apenas 4,6% do patrimônio líquido.

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