Aloysio toma posse negando "ciumeira" no ministério
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de agosto de 1999
Por Liege Albuquerque e Tânia Monteiro 
Brasília, 02 (AE) - O novo secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira. toma posse amanhã (03) no Palácio do Planalto. Ele assume com a missão de, ao lado do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e do assessor especial, Wellington Moreira Franco, promover a articulação política entre o governo e o Congresso, administrando uma "zona cinzenta" na definição de seus papéis. "Aposta errado quem falar em ciumeiras entre o ministro Pimenta e eu", declarou Aloysio, acentuando que "articulação política não tem definição burocrática".
Aloysio rebate as críticas de alguns integrantes da base sobre o desempenho de Pimenta da Veiga, um desafeto do PMDB, por causa de suas dificuldades em negociar com os partidos aliados. "E quem não as tem?", questiona. Para ele, toda a base tem co-responsabilidade no sucesso do presidente, sob pena de ser cobrada nas urnas.
A prioridade da trinca de articuladores, que, segundo Aloysio, deve estar entrosada com os líderes governistas, é aprovar e promulgar, ainda este ano, a reforma tributária. "O sistema tributário brasileiro hoje é visto como obstáculo para o crescimento e a competitividade, por causa de seu caráter confuso", afirmou.
O secretário - que tem status de ministro e ocupa um gabinete no quarto andar do Planalto - preferiu não comentar os problemas enfrentados pelo secretário de Desenvolvimento Urbano, Ovídio de ¶ngelis: "O assunto está encerrado." Quando ocupava a Secretaria de Políticas Regionais, Ovídio foi acusado pela oposição de ter favorecido seu Estado, Goiás, com verbas.
O secretário-geral afirmou que não se pode ter uma concepção burocrática de articulação política. "São muitas pessoas que interferem nisso; no presidencialismo é assim: faço eu, faz o ministro Pimenta, faz o Moreira Franco e faz, sobretudo, o presidente." Na opinião dele, sempre existirá o que chama de "zona cinzenta" entre o papel dos articuladores, porque o fenômeno político "é expansivo e não tem limites".
Aloysio lembrou que a reforma tributária é um ponto nobre desse segundo semestre. "Queremos que esteja votada promulgado até o fim do semestre", afirmou. "Tem de ser urgente, porque a percepção do governo é de que estarmos prontos para ingressar num novo ciclo de crescimento: o governo já reduziu os juros, há sinais de aumento da exportação e de investimentos na indústria, além da reação na área de emprego e de uma boa safra agrícola."
Sobre a reforma da Previdência, ele disse que existe uma incógnita em relação à contribuição do servidor, tanto na atividade quanto na inatividade. "Isso afeta a estratégia de reversão do desequilíbrio da previdência do funcionalismo, que é o maior problema fiscal, hoje, para a União e para os Estados e municípios." Ele observou ainda que estão sendo feitos estudos sobre a idade mínima na aposentadoria. "Mas não sabemos exatamente se será reincluído o critério de idade mínima ou se vai ser dado estímulo para que a pessoa tenha mais tempo de contribuição."


