Não basta ter o melhor plano de saúde ou realizar check-ups periódicos para ficar em dia com o bem-estar do corpo. Estudos recentes comprovam que o estilo de vida adotado é o principal fator que interfere na sanidade física e mental. Viver de forma saudável, porém, requer conhecimento e disciplina: estar ciente dos problemas que uma vida sedentária pode acarretar ou dos malefícios que o cigarro provoca no organismo já é um bom começo para pensar em novos hábitos de vida. Não sabe por onde começar? Fazer alongamentos pode ser o primeiro passo.
  Uma pesquisa realizada pela British Heart Foundation com servidores públicos de Londres (Inglaterra), e publicada na revista ‘‘European Heart Journal’’, mostra que empregados com menos de 50 anos que sofrem de estresse têm 68% mais chance de desenvolver doenças cardíacas do que os que trabalham em ambientes livres de pressões. O estudo - que observou mais de 10 mil funcionários - também constatou que 32% do impacto do estresse se deve à má alimentação e à falta de exercícios.
  ‘‘Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase dez milhões de pessoas morreram no Brasil em decorrência de enfarte do miocárdio, derrame cerebral, câncer e diabetes. Essas doenças não apareceram de repente. Elas surgiram em conseqüência de um estilo de vida não-saudável’’, lembra Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV). ‘‘Claro que se alguém adotar bons hábitos não viverá para sempre, mas estará longe desses males’’, completa.
  Para o médico Ricardo de Marchi, mestre pela Universidade de Paris IV com especialização em Corporate Wellness and Sports Medicine (Bem-estar Corporativo e Medicina do Esporte) pela Stanford University, não é tão difícil escapar dos dados da OMS. ‘‘Um estilo de vida positivo aliado ao humor, desafios, alegria e exercícios faz com que o corpo se torne saudável.’’ Ele garante que o alongamento é um forte aliado ‘‘que ajuda a manter o corpo mais flexível e adiar, ou mesmo diminuir, o aparecimento de dores.’’
  Inelia Garcia, professora de pilates, em São Paulo, é especialista em alongamento e não passa um dia sem esticar o corpo. ‘‘Por meio do alongamento, melhoramos a capacidade de relaxamento do físico e da mente, melhorando o equilíbrio muscular e a circulação’’, explica. A profissional acredita que, depois de um tempo, a pessoa passa a ter mais controle da respiração, além de mais agilidade e força. ‘‘Antes de começar qualquer tipo de atividade que proporcione qualidade de vida, por mais tranqüila que seja, é preciso procurar um médico que indicará quais são os exercícios ideais para o futuro esportista’’.
  Foi em busca do bem-estar que a personal trainer Paola Uhlendorff, 41 anos, passou a se dedicar ao alongamento. Adepta da musculação, encontrou em uma simples espreguiçada o elemento que faltava para começar bem o dia. ‘‘Depois de me esticar como um gato, meu dia ganha outra cor. Isso me ajuda a ter mais liberdade nos movimentos e um controle maior dos movimentos do corpo’’, conta.
  Assim como Paola, a fisioterapeuta Eliane Franckevicius, 40 anos, não dispensa o alongamento. ‘‘É um jeito que encontrei de liberar o peso que carrego nas costas por conta do dia atribulado.’’
  Para aliviar dores na coluna lombar, típicas do período menstrual, a personal trainer Mallê Jabur, de Londrina, também indica o alongamento (veja posição 8). ‘‘É excelente, sempre indico para minhas alunas’’. Ela ainda dá outra dica: se a pessoa não tem faixa ou corda para fazer o alongamento, ‘‘vale usar um cachecol ou mesmo uma toalha torcida’’.
Só não vale ficar sem alongar. (Colaborou Chiara Papali)

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