Rio, 20 (AE) - O almoço de desagravo ao brigadeiro Walter Br„uer, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), marcado pelo Clube da Aeronáutica para o dia 28, no Rio, poderá transformar-se em protesto de militares da ativa e da reserva contra o governo e em ato pela demissão do ministro da Defesa, Élcio álvares. Segundo um dos organizadores, o presidente do Conselho Deliberativo da entidade, brigadeiro Murillo Santos, porém, o objetivo da reunião não é "derrubar governo", mas homenagear a FAB "na pessoa do brigadeiro Br„uer", demitido em episódio em que, disse, "as Forças Armadas foram enxovalhadas".
"Vamos prestar continência ao comandante supremo das Forças Armadas (segundo a Constituição, o presidente da República), mas não é assim que se demite um comandante de Força", afirmou o brigadeiro, que está na reserva. "Só se exonera um chefe rapidamente quando ele é incompetente ou amoral
e não foi esse o caso." Br„uer perdeu o cargo na sexta-feira (17), depois de se mostrar simpático à iniciativa da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara quebrar o sigilo bancário da assessora de álvares Solange Antunes, sócia do ministro num escritório de advocacia no Espírito Santo, que defenderia traficantes.
Santos afirmou que o clube poderá receber até 400 pessoas no almoço. A manifestação será aberta a civis. De acordo com o brigadeiro, os Clubes Militar e Naval estão ajudando na organização. A idéia do desagravo surgiu, segundo Santos, na noite de sexta-feira, quando foi noticiada a demissão. Ele atribuiu a exoneração a suposto "revanchismo por parte de gente do governo" (que tem ex-perseguidos do regime militar) e à "internacionalização da privatização". "Há muitos interesses", afirmou, citando fabricação de aviões, controle de tarifas aéreas e até lançamento de satélites.
"Afinal, alguém tem de reaver o parco numerário pago, a preço mínimo, pelo turismo em Fernando de Noronha e ainda buscar maiores arrecadações com as taxas aeroportuárias e com as possíveis benesses do controle das tarifas aéreas e, pior ainda, com as volumosas quantias que envolvem a nossa ainda adolescente indústria aeroespacial", escreveu Santos, em fax que enviou à reportagem. "(...) Todas as razões que se apresentam para exonerar o comandante da Aeronáutica são pífias diante das obscuras que foram urdidas e inspiradas pelos homens do governo. Penso que o ministro da Defesa só transmitiu ao tenente-brigadeiro-do-ar Br„uer o recado que lhe mandaram dar." O presidente do Clube da Aeronáutica, brigadeiro Ércio Braga, admitiu que o ato de desagravo poderá virar protesto contra álvares, embora esse não seja o objetivo oficial e explícito da manifestação. "A demissão foi um atentado à lógica", disse. Braga externou o desconforto que, avalia, perpassou a Força não só pelo motivo da demissão - uma manifestação em relação a uma CPI - como pela forma como aconteceu.
Br„uer, por uma questão supostamente disciplinar, perdeu o cargo ao mesmo tempo em que Solange, que teve o sigilo bancário quebrado numa investigação de narcotráfico, o que teria gerado mal-estar na Aeronáutica.

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