Rio, 05 (AE) - A Tijuca, bairro tradicional do Rio, é uma miniatura da cidade, com seus encantos e problemas. Essa é a idéia do Almanaque Meio Ambiente da Grande Tijuca, lançado hoje na sede do Serviço Social do Comércio (Sesc), destinado ao público infanto-juvenil e ilustrado com desenhos das crianças. Além de contar a história da região, que vem do século 18, o Almanaque fala da situação atual do bairro, com a renda per capita mais alta do Rio e um número recorde de favelas, 26.
Para o livro, a Grande Tijuca começa na Praça da Bandeira, próximo ao centro da cidade, e se estende aos limites da Floresta da Tijuca com a praia, já na zona oeste ao todo, sete bairros. A Grande Tijuca, segundo o texto, tem quase 400 mil habitantes, 13% dos quais morando em favelas. No local estão instaladas escolas tradicionais, como o Instituto de Educação e o Colégio Militar, além de outras 85, entre públicas e particulares.
O samba nasceu ali ao lado, no Estácio, mas agremiações tradicionais como Salgueiro, Unidos da Tijuca, Império da Tijuca e Unidos de Vila Isabel têm sua sede na área, que abriga a maior floresta urbana no País, o Parque Nacional da Tijuca, além do estádio do Maracanã e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
O livro não pretende pintar um cenário de sonho. Os graves problemas, especialmente os ambientais da Tijuca, estão no livro, que pede aos leitores sugestões para solucioná-los. A poluição sonora e ambiental, a violência urbana e a degradação da floresta são abordadas. "Nossa intenção é provocar o debate e estimular o sentimento de pertencimento que já existe no morador da Tijuca", explica Nahyda van der Weid, que coordenou a edição do livro com os professores Athayde Mata e Alexandre de Melo Santos.
O patrocínio do livro, com tiragem de 5 mil exemplares, que serão distribuídos em escolas, é do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), fundado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, morto em 1997. A idéia surgiu há três anos, quando Betinho sugeriu uma agenda social para sustentar a candidatura do Brasil para ser sede da Olimpíada de 2004. Com a morte de Betinho e a derrota do Brasil na disputa para ser sede da competição, a agenda se restringiu ao bairro.

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