Curitiba- O Relatório das Concessões Ferroviárias do Exercício de 2003, divulgado ontem pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), demonstra que as concessionárias América Latina Logística (ALL) e Ferrovia Paraná (Ferropar) tiveram desempenho positivo no ano passado. Entretanto, a ALL continua sendo alvo de questionamentos por conta do número de acidentes graves registrados em 2003. A Ferropar não está conseguindo cumprir o contrato de subconcessão firmado com a Ferrovia Oeste do Paraná (Ferroeste) no dia 1º de março de 1997.
A ALL iniciou suas operações no Estado no mesmo dia da Ferropar. Ela conseguiu a concessão de 7.228 quilômetros de linhas férreas, dos quais 2.038 no Paraná. De lá para cá, a empresa se destacou pelo crescimento no transporte de cargas em 100% entre os anos de 1996 e 2003. O número de acidentes caiu 18%, segundo dados do relatório. Mas ainda é considerado preocupante. Em 2003, foram 223 acidentes registrados na malha férrea da ALL, uma média de 18 acidentes por mês. Deste total, 46,18% ocorreram por falhas ou na manutenção da via permanente (40 acidentes), ou do material rodante (40) ou ainda falha humana, quando o maquinista teve responsabilidade no acidente (23).
Foram ao todo 25 acidentes com gravidade, sendo que 35 pessoas ficaram feridas ou morreram nestes acidentes. O relatório da ANTT demonstra que a ALL teve o índice de 18,6 acidentes por milhão de trem quilômetro (medida utilizada pela agência reguladora). Se usada a medida, a redução de acidentes, segundo a ALL, chega a 53%. ''Acidentes sempre ocorreram. A via sofre todas as interpéries do tempo, existe queda de barreira, quebra e oscilação do trilho por causa da temperatura. Quebra de roda diminuiu muito. Não tivemos acidentes com maquinistas. A performance da concessionária foi positiva'', afirmou ontem Pedro Almeida, diretor de relações corporativas da ALL.
O número foi maior do que outras concessionárias como a Ferropar (2,5), Ferrovia Tereza Cristina (12,8), Ferronorte (6,9), Estrada de Ferro Vitória Minas (14,8) e Estrada de Ferro Carajás (5,9). A ALL explicou que essas concessionárias, com menor índice de acidentes, tem movimentação menor de carga, o que explicaria a pequena quantidade de incidentes envolvendo vagões e locomotivas. As reduções mais expressivas no índice de acidentes foram constatadas nas concessionárias Ferronorte (64%), Ferroeste (62%) e estrada de Ferro Carajás (54%). Apesar dos acidentes, a ALL demonstrou que a velocidade média das locomotivas na malha férrea sul é menor do que a média nacional. Enquanto a média é de 30 quilômetros, a ALL trabalha com limite médio de velocidade de 26,2 quilômetros por hora.
No transporte de cargas, a ALL se destacou. Foram transportadas em linha férrea 19,5 milhões de toneladas, cerca de 5,3% a mais do que em 2002. Os produtos que tiveram o melhor desempenho foram trigo (161%), óleo vegetal (29%), adubos e fertilizantes (33%) e cimento (12%). Os investimentos realizados pela concessionária, segundo o relatório, somaram R$ 74 milhões. A empresa mantém 380 locomotivas e 9.885 vagões. A empresa tem 93 clientes, 33 deles no Estado.

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