ALL processa agricultores por bloqueios em ferrovias
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Um grupo de 17 agricultores de Cambé, Arapongas, Rolândia e Sabáudia está sendo processado pela América Latina Logística (ALL), concessionária que administra as ferrovias paranaenses, por supostos danos materiais e morais durante bloqueios de ferrovias ocorridos em maio no Norte do Estado. Os produtores obstruíram as ferrovias para protestar contra a crise na agricultura.
Segundo um dos advogados que defende parte do grupo, Elvio de Freitas Leonardi, de Rolândia, a ALL pede reparação por danos materiais devido a supostos impedimentos de cumprir contratos com clientes, e mil salários mínimos por dano moral.
Durante um pouco mais de uma semana, em maio deste ano, os produtores rurais bloquearam mais de 80 pontos entre rodovias e linhas férreas interrompendo o escoamento de produtos derivados do agronegócio. As ferrovias de Ibiporã, Arapongas e Jataizinho foram obstruídas com tratores e colheitadeiras. À época, a ALL chegou a recorrer à Justiça e conseguiu a reintegração de posse.
De acordo com Leonardi, as ações correm nas Varas Cíveis de Arapongas e Cambé. ''Vamos aguardar a citação de todas as pessoas para definir uma linha de defesa e ingressar com uma contestação ao processo'', explicou o advogado. Terminadas as citações, os advogados têm 15 dias para apresentar a defesa.
A assessoria de imprensa da ALL confirmou que a empresa move a ação contra os agricultores por danos materiais e também porque o protesto poderia ter provocado acidentes.
A empresa lembra que o artigo 260 do Código Penal diz que é crime impedir ou perturbar serviços em estrada de ferro. Ainda segundo a assessoria de imprensa da ALL, peritos judiciais ainda deverão analisar os contratos da empresa prejudicados pelo bloqueio para definir, então, o montante da indenização.


