Curitiba- O diretor de Relações Corporativas da América Latina Logística (ALL), Pedro Roberto de Almeida, admitiu ontem que o excesso de velocidade no trecho da Serra do Mar entre o Véu da Noiva e o Marumbi, na ponte sobre o Rio São João, pode ter sido a causa do acidente que ocorreu na madrugada de anteontem no litoral do Paraná. Trinta e cinco vagões finais de um trem da ALL composto de uma locomotiva e 45 vagões descarrilaram e caíram de uma altura de aproximadamente 50 metros. A chamada ''caixa-preta'' do trem, que é composta por um equipamento que verifica a velocidade média percorrida, indicou acima dos 25 quilômetros por hora que são permitidos naquele trecho da serra.
''A velocidade pode ter sido maior do que a permitida para este trecho. Nossos técnicos estão analisando e deverão determinar com precisão isto durante o trabalho de sindicância, que deverá durar 30 dias'', argumentou ele. Outras duas hipóteses estão sendo consideradas como prováveis causas do acidente: falha humana (o maquinista Douglas Ferreira poderia ter errado na condução do trem de carga) ou descarrilamento provocado por problemas nas rodas dos vagões. Ferreira nunca havia se envolvido em acidente com gravidade e trabalhava há 14 anos na companhia.
Em 2001, a ALL aumentou a velocidade dos trens na maior parte dos 7 mil quilômetros de ferrovias da malha sul que administra nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. A média geral de aumento de velocidade foi de 10%. Nos 2,4 mil quilômetros de ferrovias paranaenses, o aumento de velocidade ficou entre 20% e 25%. No trecho entre Curitiba e Ponta Grossa, por exemplo, os trens tiveram a permissão de trafegar com velocidade média de 60 quilômetros por hora. A Folha fez matéria especial na época. Almeida disse, entretanto, que o aumento de velocidade foi permitido apenas nos trilhos em melhores condições de tráfego. ''Em alguns pontos, a gente aumenta ou diminuiu a velocidade. Depende do local e das condições de trafegabilidade'', declarou ele.
No trecho onde aconteceu o acidente, a ALL não permitiu aumento de velocidade. Os trens, segundo a empresa, continuaram tendo que percorrer o trecho com 25 quilômetros horários para evitar riscos de acidentes. Apenas na região da Mata Atlântica, entre Morretes e Paranaguá, a velocidade permitida chegou a 50 quilômetros por hora. ''O aumento da velocidade não é linear em toda a rodovia'', considerou ele. Ontem, a ALL já estava retirando os vagões da vegetação através de guindastes. A previsão continua sendo a de liberar o trilho num prazo máximo de nove dias. Ainda ontem, a estrutura da ponte, atingida com o impacto dos vagões, já começava a ser restaurada.

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