Alíquota de 27,5% do IR confisca até metade do salário
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 20 (AE) - A aprovação da prorrogação por mais três anos da alíquota de 27,5% para o Imposto de Renda Pessoa Física, para quem ganha acima de R$ 1.800,00, corresponde a um confisco dos salários dos trabalhadores dentro dessa faixa que pode chegar a até cerca de 50%, disse hoje o economista Celso Martone, da USP. Ele comentou que "a média seria um confisco de 32%, como já é a incidência de impostos sobre o PIB brasileiro, mas ele sobe, com outros impostos diretos e indiretos, além da CPMF".
Segundo Martone, "é um dos maiores confiscos que se faz sobre ganhos de trabalhadores no planeta". Ele diz que não sabe de nenhum outro país que pratique esse tipo de confisco. "A reforma tributária é essencial para acabar com esse desequílibrio."
Martone chegou a dizer que pelo menos a metade das horas trabalhadas por quem ganha entre R$ 1.800 e R$ 2.000, acaba indo para o governo, "sendo uma parte diretamente, como com o IR mais a alíquota da Previdência de 11%, sem falar em Cofins, CPMF
ICMS, IPVA e outros impostos que estão por aí..
O economista entende que a carga tributária é pesada demais, levando-se em conta que incide sobre salários baixos, como é o caso de R$ 1.800,00. "É um confisco pesado sobre a classe média."


