São Paulo, 26 (AE) - O bom desempenho no preço dos alimentos, com alta menor do que a esperada nas últimas semanas, fez o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) baixar para 0 90% na terceira quadrissemana de agosto. No período anterior, o índice estava em 1,13%.
O coordenador do índice, Heron do Carmo, também reviu de 0,90% para 0,70% sua previsão de inflação para agosto e já espera um índice em torno de 6% para este ano, se não houver novo reajuste do preço dos combustíveis. A previsão anterior era de uma inflação em torno de 6,5%. "Agora vai ficar abaixo disso
se não houver novo aumento de tarifas públicas ou combustíveis", diz Heron. O economista também reviu a previsão para setembro e agora espera uma inflação de 0,30%, em vez dos 0 40% previstos anteriormente.
A revisão foi causada pela alta menor do que a esperada no custo dos alimentos este mês. Na terceira quadrissemana, os alimentos subiram 0,95%, menos do que a previsão de 1,5% feita no início do mês. A alimentação no domicílio ficou 1,11% mais cara nessa quadrissemana, mas a alimentação fora de casa ficou 0 20% mais barata. O feijão, apesar da alta de 120% no atacado nos últimos 30 dias, teve queda de 5,6% no varejo.
Outros itens com alta este mês devem ficar estáveis com com queda em setembro. É o caso dos gastos com habitação, que subiram 2,30%, puxados pela alta de 7,04% no custo dos serviços públicos. Somente a energia elétrica contribuiu com 0,41 ponto percentual nesta semana, quase metade do índice. "A partir de setembro o efeito do tarifaço no índice será muito menor", diz Heron do Carmo.
Os preços determinados pelo governo - água, esgoto, luz, gasolina, metrô e gás de botijão - participaram com 0,76 ponto porcentual na formação do índice dessa quadrissemana. Os combustíveis têm comportamento diverso. O preço do álcool está caindo, enquanto a gasolina já subiu 3,57%. Ainda assim, uma alta menor do que a prevista, em torno de 5%. "É um indicativo de que o consumo está menor do que a oferta e a concorrência entre os postos está forte", diz Carmo.
Os gastos com transporte subiram 0,92%, com elevação de 0,70% nos custos com veículo próprio e 1,30% nos gastos com transportes urbanos. Esse item também deve parar de subir no próximo mês.
As despesas pessoais caíram 0,48% na terceira quadrissemana de agosto, por causa da queda de 3,65% nos gastos com cigarros com a redução no preço de algumas marcas. As bebidas não alcoólicas também baixaram, 0,26%, enquanto as alcoólicas subiram em média 0,39%, com alta de 0,67% no preço da cerveja.
Os preços do vestuário caíram nessa semana pela primeira vez desde o início do inverno. A queda foi de 1,38% em média, com redução nos gastos com roupas e aumento, em menor proporção, nos preços de calçados, tecidos e relógios e jóias. "No índice de agosto a queda deve chegar a 2%, ajudando a segurar a inflação desse mês", diz Heron. Em setembro, a redução deve ser ainda maior.
Os gastos com saúde subiram 1,36% nesta quadrissemana, com alta de 3,37% no preço dos remédios e produtos e de apenas 0 22% nos serviços médicos. Essa alta reflete a última parcela do acordo para o aumento dos remédios e também não deve repetir-se em setembro. As despesas com educação estão praticamente estáveis, com alta de apenas 0,02%.

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