Alimentos não chegam a entidades
Projetos assistenciais que se beneficiam com produtos doados pela Ceasa são prejudicados
Josoé de CarvalhoLegumes estragaram na Central Atacadista: volume de 10%As 181 entidades assistenciais de Londrina e região, cadastradas na Ceasa para receber doações de alimentos, foram prejudicadas com a greve. Muitas não conseguiram transportar os produtos. Ontem, a Ceasa estava praticamente vazia. Em dias normais, cerca de 600 a 700 toneladas de hortifrutigranjeiros entram e saem do posto de abastecimento de Londrina. Ontem, o volume não passava de 10% desse total e pouca coisa saiu nos veículos das entidades locais.
O gerente Paulo César Venturini chegou a aconselhar as entidades de outras localidades a não buscarem produtos. Itamar Alves, presidente do Fórum Permanente das Entidades de Assistência à Criança e ao Adolescente de Londrina, contou que na terça-feira carregou uma camionete com produtos doados pela Ceasa, mas foi barrada na entrada do bairro onde atende 86 crianças na creche Menino Jesus, atrás da sede campestre do Grêmio.
Itamar disse que só conseguiu chegar na creche depois de transferir os produtos para um carro menor. É uma pena ver comida estragando, quando temos tanta gente precisando. Outras entidades tiveram mais sorte. Isabel Nascimento, que coordena um centro de recuperação para drogados, carregou ontem uma kombi com boa variedade de legumes e verduras que seriam levados para o conjunto João Turquino, onde funciona o atendimento.
A Ceasa de Londrina abastece várias localidades. São Paulo recebe 100 toneladas diárias de hortifrutigranjeiros; Mato Grosso 60 toneladas e Maringá 200 toneladas. A Associação de Atacadistas da Ceasa calcula que, desde o início da greve, menos de 10% desse volume chegou aos supermercados e outros revendedores. (Katia Baggio, especial para a Folha, de Londrina)





