Brasília - Os brasileiros estão se alimentando pior e, com isso, é cada vez maior o número de pessoas acima do peso. A constatação é de pesquisa anual do Ministério da Saúde divulgada ontem. O levantamento foi feito nas 27 capitais por meio de 54 mil entrevistas por telefone com pessoas com mais de 18 anos.
Os dados fazem parte da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil 2010), que traça o perfil de hábitos que influenciam a saúde do brasileiro.
A pesquisa indica que 48% da população está acima do peso, entre os quais 15% têm obesidade. Em 2006, os percentuais eram de 42,7% e 11,4% respectivamente. O crescimento de mais de um ponto percentual por ano é considerado ''preocupante'' pela pasta, já que o excesso de peso está ligado ao aumento de doenças crônicas.
Para Deborah Malta, da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério, o fenômeno está ligado a uma mudança no padrão alimentar: maior consumo de produtos industrializados em detrimento de opções mais saudáveis como frutas e legumes.
Outro dado preocupante é o sedentarismo: 14,2% da população adulta não praticam nenhuma atividade física, nem durante o tempo de lazer nem para ir ao trabalho.
Tabagismo
A pesquisa mostrou ainda que a proporção de brasileiros fumantes caiu de 16,2% para 15,1% da população entre 2006 e 2010. Durante o período, entre os homens, o hábito de fumar caiu de 20,2% para 17,9%; na população feminina, o índice continua estável, em 12,7%. Pessoas com menor escolaridade (zero a oito anos de estudo) fumam mais (18,6%) em relação às pessoas mais escolarizadas (12 anos e mais), cuja proporção é de 10,2%.
''O Brasil é um exemplo para o mundo no combate ao tabagismo. Medidas regulatórias, como a proibição da propaganda de tabaco e advertências nos maços de cigarro, são muito efetivas e explicam essa importante redução no consumo do cigarro no Brasil'', afirma Deborah Malta, coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
O levantamento também apontou que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas no País aumentou, passando de 16,2% para 18% da população, entre 2006 e 2010. Entre as mulheres, a variação no período foi de 8,2% para 10,6%. Entre os homens, a proporção passou de 25,5% para 26,8%.
O ministério entrevistou 54.339 adultos, residentes nas 27 capitais. O Vigitel é realizado anualmente, desde 2006, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo.

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