ALIMENTAÇÃO - Dieta vegetariana requer mais atenção
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segunda-feira, 21 de novembro de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Não basta tirar a carne vermelha e alimentos de origem animal do cardápio e achar que a alimentação ficou ''saudável''. Optar pelo vegetarianismo - seja por opção ideológica, religiosa ou outro motivo - passa por reprogramar toda a dieta para que a necessidade diária de proteína e ferro seja suprida. O risco é de baixar a imunidade do organismo, e deixá-lo mais propenso a infecções e doenças como a anemia.
Por dia, um homem adulto precisa de 15 miligramas de ferro e a mulher, de 18. Segundo a coordenadora da clínica de nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Anne Cristine Rumiato, tal necessidade pode ser suprida com carne (de boi, frango ou peixe), ovos, leguminosas, como o feijão, e folhas verdes, como couve e espinafre.
''Nas mulheres, a ingestão de ferro é extremamente importante porque ela tem a menstruação, e o ferro também influencia na gestação. A ingestão de ácido fólico, por exemplo, diminui as chances da mulher ter um filho com defeito no tubo neural'', explica.
O organismo ainda precisa, segundo a nutricionista, de proteína - cerca de 0,8 gramas por quilo de peso, dependendo se a pessoa é atleta ou não. ''Atletas e gestantes precisam de mais, dependendo do esporte e da idade gestacional. Já idosos podem ingerir menos'', ressalta.
Para quem deixou de comer carne (de qualquer espécie), aponta a nutricionista, a reposição das necessidades diárias de ferro e proteína pode ser feita com ''porções generosas'' de alimentos como cereais, castanhas, leguminosas e folhas verdes. ''Nosso organismo usa melhor a proteína animal, mas a combinação de arroz com feijão, por exemplo, fornece uma proteína completa'', explica. Além disso, parte da proteína ainda pode ser obtida nos ovos, leite e queijo, que fazem parte da dieta dos chamados ovo-lacteo-vegetarianos.
Já quem optou por uma dieta vegetariana mais radical, os cuidados devem ser maiores. Isso porque nessa opção, não se come carne de nenhuma espécie, nem alimentos de origem animal, como o ovo, leite e queijos. ''Esse é o vegetariano estrito''. Nestes casos, a atenção com a alimentação deve ser maior, pois as fontes de proteína e ferro serão menores, já que as opções de pratos também são mais restritas.
Uma dica é sempre ingerir fontes de ferro com suco de laranja ou frutas cítricas, como o limão, acerola, tomate e pimentão. A nutricionista explica que a vitamina C ajuda na absorção do ferro, e no caso do ferro de origem vegetal, ele precisa ser ''transformado'' em um tipo de ferro que o organismo reconheça.
Há, no entanto, uma carência que, segundo a nutricionista, não é possível suprir sem a ingestão de carne - a da vitamina B12. Ela recomenda que quem optou pela dieta vegetariana consuma a vitamina B12 de forma medicamentosa, já que não há outra fonte que não a carne vermelha. A carência dessa vitamina, explica, pode ocasionar uma espécie de anemia chamada de perniciosa, que causa irritação, sensação de choro e dores de cabeça. Já a anemia comum causa cansaço, sono, desânimo, palidez e deixa a pessoa com as extremidades do corpo frias.
Mas, atenção quem não é vegetariano e aprecia um bom churrasco. A nutricionista alerta que comer muita carne também pode ser prejudicial à saúde, por causar obesidade, hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.


