Aliança vê sinais de recuo de Milosevic
Bruxelas, 30 (AE-AP) - A Otan admitiu hoje (30) que o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic está mostrando sinais de que está disposto a aceitar as cinco condições dos aliados para pôr fim aos bombardeios contra a Iugoslávia.
Mas o porta-voz da organização, Jamie Shea, ressalvou que Milosevic deverá tomar duas medidas para confirmar a aceitação das exigências. "A primeira delas é ele mesmo fazer uma declaração bem clara de que aceita as cinco condições da Otan - sem reservas nem negociações - e está interessado em adotar todas elas imediatamente", disse Shea.
"E a ação principal, a garantia que ele poderia dar para provar sua sinceridade, seria tirar suas forças de Kosovo", acrescentou o porta-voz. Na avaliação da Otan, como Kosovo é um lugar pequeno e o centro da Sérvia fica do lado, essas forças poderiam sair imediatamente.
"Milosevic começou a mover-se de uma posição de quase total desafio à comunidade internacional, quando iniciamos os ataques no dia 24 de março, para pelo menos dizer que aceita as exigências básicas do G-8", afirmou Shea, referindo-se às propostas do Grupo dos Oito, que engloba a Rússia e as sete nações mais industrializadas do mundo (Alemanha, Itália, França, Estados Unidos, Japão, Canadá e Grã-Bretanha).
Os comentários de Shea expressam o otimismo da Otan em relação à longa reunião de sexta-feira entre o enviado especial russo aos Bálcãs, Viktor Chernomyrdin, e Milosevic, em Belgrado. Ainda não foi divulgado comunicado oficial sobre o resultado do encontro, mas a agência oficial iugoslava Tanjug assinalou que Milosevic aceitou as exigências do G-8, incluindo o fim imediato da luta em Kosovo, a saída das forças iugoslavas da província, o retorno de todos os refugiados e a entrada de uma força internacional de paz em Kosovo para garantir o retorno dos refugiados. Mas ele não deu sinais concretos de que tenha retirado sua oposição à presença na força de paz de países envolvidos nos ataques.
Em Londres, o chanceler britânico, Robin Cook, também afirmou não ser suficiente que Belgrado aceite "os princípios gerais" do G-8 e pediu que Milosevic vá além e faça declarações mais "substanciais".
O primeiro-ministro italiano, Massimo DAlema, comentou hoje que os próximos quatro ou cinco dias serão decisivos no caminho para alcançar uma solução negociada para Kosovo.
"Chegamos a um acordo com nossos aliados que nos permitirá levar a cabo uma verificação muito séria", adiantou DAlema. Ele não quis confirmar se está prevista a realização de uma reunião do G-8 - atendendo a uma solicitação da Alemanha e da França - antes do começo da próxima reunião de cúpula semestral de chefes de Estado e de governo da União Européia (UE), na quinta-feira.





