Aliança entre Telefónica e BBVA faz Bolsa de Madri disparar
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
por Vladimir Goitia 
São Paulo, 14 (AE)- O acordo assinado na sexta-feira entre a Telefónica, a maior empresa privada da Espanha, e o BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentaria), a instituição financeira mais poderosa do país, fez hoje disparar a Bolsa de Madri. Logo de manhã, o Ibex-35, que negocia as principais ações espanholas, subiu 0,93% nos primeiros 15 minutos do pregão. O índice foi alavancado, principalmente, pelos papéis do BBVA, que dispararam quase 5%, e os da Telefónica, que subiram nesses primeiros 15 minutos 1,13%. Alguns minutos depois, a Bolsa de Madri subia 3 2%. Com a aliança assinada na sexta-feira -- a Telefónica abosorve 3% do BBVA, que por sua vez passa a deter 10% da operadora --, os dos conglomerados espanhóis com forte presença na América Latina, vão iniciar negócios conjuntos na Internet, entre eles, serviços e transações finaceiras por meio de ligações a partir de celulares.
Na semana passada, a Bolsa de Madri viveu um período histórico, provocado, principalmente, pela euforia da aliança entre a Telefónica e o BBVA. O Ibex subiu 13% em cinco dias úteis, um recorde, considerando que foi a semana mais positiva desde a crise de 1998. A operação entre a Telefónica e o BBVA atraiu a atenção de todo tipo de investidores, entre eles minoritários, institucionais e estrangeiros. Essa aliança fez tremer, segundo a imprensa espanhola, as estruturas empresariais e políticas espanholas, porque deixou pequeno qualquer projeto para o desenvolvimento de negócios financeiros por meio de outros canais (Internet, telefonia móvel, por exemplo) e cria grandes incertezas pelo distanciamento entre Juan Villalonga, presidente da Telefónica, e o governo, presidido pelo seu amigo de infância, José Maria Aznar.
A aliança entre os dois conglomerados tem várias interpretações estratégicas, afirma hoje o "El País". A primera, é que os negócios do futuro se articulam em torno da Internet e da telefonia móvel. Analisando isso, "resulta que é necessário dotar de conteúdo as redes virtuais e de comunicação, daí a fusão entre a AOL e a Time Warner". Ou seja, acrescenta o jornal, "as operações de concentração nos Estados Unidos e na Europa aceleram a urgência de organizar a simbiose rede-conteúdos".
Do ponto de vista empresarial, afirma o "El País", a operação Telefónica-BBVA parece uma resposta voltada a formar um grupo capaz de explorar os negócios das novas tecnologias. Por outro lado, também tem um componente político. A aliança de Villalonga com um dos acionistas de seu núcleo estável é mais outro passo na direção de ganhar autonomia em relação ao governo espanhol, com o qual o presidente da Telefónica parece não se sentir mais a vontade nos últimos meses.


