Madrid, 13 (AE) - A aliança entre dois dos mais importantes grupos econômico-financeiros da Espanha, Telefónica e Banco de Bilbao Viscaya e Argentaria (BBVA), anunciada sexta-feira, para a exploração de negócios no setor da chamada "nova economia" (Internet), cuja estratégia deverá se concentrar em grande parte na América Latina (Brasil e Argentina), está provocando fortes reações da oposição e de sindicatos, em pleno início da campanha legislativa espanhola. A reação vem também de certos concorrentes que temem a concentração.
Socialistas e comunistas, que concluíram um pacto eleitoral para tentar voltar ao poder na Espanha, estão condenando o acordo entre os dois grupos em nome da preservação do direito a concorrência. Isso está obrigando o governo de centro-direita de José Maria Aznar, que basicamente apóia essa aliança, a anunciar sua intenção de estudar as condições desse pacto para medir suas consequências no mercado e saber se ele afeta ou não os princípios da concorrência.
O ministro da Economia, Rodrigo Rato, anunciou que, diante da importância da operação, a Direção da Defesa da Concorrência, vai manter contatos com representantes dos dois grupos para exigir esclarecimentos sobre certos pontos obscuros do acordo. Para o governo, o importante é que essas operações respeitem também os interesses dos consumidores e usuários.
No fim de semana, o sucessor de Felipe Gonzalez no PSOE e candidato socialista às funções de primeiro ministro, Joaquim Almunia, denunciou o acordo BBVA/Telefónica, afirmando que no dia 12 de março os espanhóis terão de escolher "entre um governo progressista e um governo Villalonga".
Essa é uma alusão ao presidente do grupo Telefónica e amigo do primeiro- ministro Azar, Juan Villalonga, que deverá assumir também a vice-presidência do BBVA, segundo as negociações concluídas na sexta-feira. Emilio Ybarra, também presidente do BBVA, terá as mesmas funções na Telefónica espanhola.
Segundo o dirigente socialista, 11 empresários nomeados pelo primeiro-ministro para a direção de empresas públicas, hoje privatizadas, controlam dois terços da Bolsa espanhola.

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