Aliança do Brasil desiste do leilão do IRB
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 05 (AE) - A seguradora Aliança do Brasil, controlada pelo Banco do Brasil e pela seguradora privada Aliança da Bahia, informou que desistiu de participar do leilão do IRB-Brasil Re, o instituto que divide os riscos de grandes operações com seguradoras, marcado para 25 de abril. O prazo para a pré-qualificação dos interessados termina hoje, às 23h59. Durante todo o dia a resseguradora norte-americana Latin American Re acertava com o grupo Opportunity a pré-qualificação em consórcio.
A participação dos dois grupos brasileiros e da resseguradora ficou ameaçada depois que a Superintendência de Seguros Privados (Susep) divulgou, há cerca de duas semanas, que os concorrentes ao IRB teriam de apresentar patrimônio pelo menos três vezes superior ao do instituto, o que daria um mínimo de R$ 2,3 bilhões. A Aliança do Brasil não confirmou, mas teria desistido por causa desta exigência. Os fundos CVC/Opportunity têm patrimônio de R$ 1,9 bilhão e a resseguradora, de US$ 100 milhões - apesar de pertencer ao grupo financeiro Exel, cujo patrimônio é de US$ 5 bilhões.
A opção da Latin American e do Opportunity foi formar um consórcio já na fase de pré-qualificação. Geralmente, o agrupamento acontece às vésperas dos leilões. Segundo o diretor executivo regional da Latin American, Carlos Caputo, a empresa também poderia entregar uma carta do Exel garantindo cobertura a sua controlada.
Também não estava descartada a entrada de outros participantes no consórcio, como fundos de pensão. O Opportunity
além de ter fundações de previdência privada como acionistas de seus fundos de investimentos, consegue atraí-los para entrarem juntos em privatizações.
Das quatro resseguradoras internacionais que analisavam os dados do IRB desde o ano passado, apenas a suíça Swiss Re confirmou que iria se pré-qualificar. A norte-americana General & Cologne tinha a intenção de entregar os documentos, mas não confirmou a informação até o final da tarde. As diretorias da alemã Munich Re e da norte-americana Transatlantic não foram localizadas.
A Susep dirá apenas amanhã à tarde quem serão as empresas autorizadas a participar do leilão. Segundo representantes de resseguradoras, o órgão baixou o nível de exigência dos documentos que teriam de ser entregues hoje. As resseguradoras reclamavam do excesso de burocracia.


