madri, 13 (AE) - A aliança entre o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e a Esquerda Unida (IU), socialistas e comunistas na Espanha, um pacto unicamente eleitoral cujo objetivo é derrotar o Partido Popular (PP) de José María Aznar, não parece ter obtido, até agora, o efeito esperado, isto é, inverter a tendência atual que favorece o grupo de centro-direita que se encontra no poder.
Um mês antes das eleições legislativas de 12 de março, uma pesquisa do Instituto Demoscopia revela que o PP mantém a vantagem de 4,3 pontos porcentuais sobre o PSOE, a mesma verificada no mês de dezembro, ainda antes do pacto da oposição.
Depois aparecem os comunistas da IU com 7,5 pontos, o partido catalão de Jordi Pujol (que integra a coalizão governamental) com 4,4, e o partido basco PNV com 1,4.
O objetivo dessa aliança entre socialistas e comunistas é motivar os eleitores de esquerda a comparecer às urnas, pois os dois partidos não conseguiram chegar a um acordo sobre um programa comum de governo.
O sucessor de Felipe González na direção do PSOE, Joaquín Almunia, está promovendo uma recentragem no partido, fazendo questão de manifestar sua diferença, especialmente no plano econômico, com os socialistas franceses, próximos de Lionel Jospin, buscando aprofundar um discurso bem mais liberalizante.
No fim de semana, falando a mil economistas espanhóis reunidos em Madri, ele definiu a linha de sua campanha dizendo que "ninguém defende como o PSOE o mercado e a livre concorrência".
Ele promete não apenas privatizar mais, mas acelerar o processo, não excluindo setores fundamentais da economia, como os da eletricidade e do gás.
Nunca os socialistas espanhóis tiveram um programa tão liberal como o atual, tendo o próprio Almunia revelado as principais diferenças com seus parceiros da França: "Nós nos inspiramos nos franceses para concluir um pacto político com os comunistas da IU, mas nossa concepção do setor público é bem diversa."
Na Espanha, quem primeiro privatizou e liberalizou foi o PSOE, afirmou o candidato socialista, que não tem o carisma de González. Ele está prometendo acelerar o calendário da liberalização do setor elétrico e garantir a livre concorrência com uma nova lei que vai reforçar o Tribunal de Defesa da Concorrência, mas sem depender do Ministério da Economia.
Ele se mostra também prudente com relação às 35 horas semanais de trabalho, algo que tem causado tanta polêmica na França. Se o objetivo é reduzir a semana de trabalho, isso não deve ser obtido a "manu militari", disse ele, numa crítica ao processo que desenvolvem os socialistas franceses.
Seu programa econômico não difere muito do desenvolvido nos últimos quatro anos pelo PP de Aznar, levando seus parceiros comunistas da IU a adotar uma posição prudente, ilustrada pelas declarações de um de seus dirigentes, Júlio Anguita: "Sim ao acordo com o PSOE, mas muita vigilância, olhando-o com o rabo do olho." A seu ver, está claro que o PSOE não crê na unidade de ação da esquerda, mas ele justifica o acordo com os socialistas, que deve ser aceito como um coro evangélico contra "o malvado Aznar".
Se isso não fosse feito, disse Anguita (que não se candidatou por causa de um problema cardíaco), muita gente ficaria desiludida, facilitando a vitória da centro-direita. Ele define com humor a aliança: "Por enquanto, só subimos no mesmo carro, mas ainda temos de pegar a direção."

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