Aliança Cavallo-Béliz marca a nova direita
Aliança Cavallo-Béliz marca a nova direita11/Mar, 13:07 Por Ariel Palacios, especial para a AE Buenos Aires, 11 (AE) - Dois ex-ministros do ex-presidente Carlos Menem, apostando na desilusão causada pela morna política do governo do presidente Fernando de la Rúa, uniram-se para disputar as eleições para a prefeitura de Buenos Aires, que serão realizadas no dia 7 de maio. Os dois antigos integrantes do gabinete Menem são o ex-ministro da Economia Domingo Cavallo e o ex-ministro do Interior Gustavo Béliz. Desde sexta-feira até a noite de domingo calcula-se que 300.000 portenhos terão votado em uma convenção aberta para escolher qual dos dois aliados será o candidato a prefeito e qual será o vice. A forma de votação é inédita: por telefone fixo, celular e até de postos telefônicos. Além disso, esta convenção está ratificando uma forma de fazer política que era desprezada na Argentina até poucos anos atrás: a coalizão de partidos. Entre os dois pré-candidatos, o preferido nas pesquisas para esta convenção é Cavallo, do liberal Ação pela República, partido criado por ele mesmo há três anos. Para Cavallo, esta eleição é vital: utilizaria uma eventual vitória em Buenos Aires como trampolim para as presidenciais de 2003. Béliz, do neoperonista Nova Liderança, espera reverter o favoritismo de Cavallo e, para isso, conta com o apoio do eleitorado peronista tradicional, que não vê perspectivas de uma candidatura própria do partido fundado há meio século pelo general Juan Domingo Perón. Independentemente de quem vencer a convenção de amanhã (12), a aliança Cavallo-Béliz ilustra o surgimento de uma nova direita argentina, que estava sem um representante explícito. "Essa aliança é a única possibilidade de derrotar Aníbal Ibarra, o candidato da Aliança UCR-Frepaso, do presidente Fernando de la Rúa", disse à Agência Estado o analista político Rosendo Fraga. Segundo ele, essa aliança também demonstra que as coalizões de partidos, inéditas no país até 1997, são uma fórmula que veio para ficar. Com uma coalizão que parecia impossível, há três anos a Aliança UCR-Frepaso conseguiu derrotar a hegemonia peronista. Agora, a coalizão entre os partidos de Cavallo e Béliz poderia ameaçar a hegemonia obtida pela UCR-Frepaso. Segundo pesquisas do Centro de Estudos para a Nova Maioria, há um mês, Ibarra tinha 42% das intenções de voto. Cavallo tinha 25% e Béliz, 12%. Com o anúncio da coalizão, Ibarra tem 43%, mas Cavallo e Béliz, juntos, atingem 40%, o que forçaria um segundo turno. No dia 7 de maio estará em jogo algo mais que a prefeitura de Buenos Aires, a maior cidade do país e seu centro político e econômico: também estará sendo realizado o primeiro veredicto sobre o governo do presidente De la Rúa, que tomou posse em dezembro. Mas, em vez de aproveitar a lua-de-mel com o eleitorado, o novo governo parece adormecido: embora seus integrantes possuam um perfil mais honesto que o do governo anterior, depois da chegada ao poder eles se acomodaram e nada fizeram de significativo para reverter o descalabro econômico deixado por Menem. As eleições em Buenos Aires também serão um marco para o peronismo, que sempre foi visto como intruso na capital argentina e agora está mais desorientado do que nunca. Passando por cima da débil candidatura do ex-ministro da Justiça de Menem Raúl Granillo Ocampo, no Senado, os peronistas anunciaram o respaldo à candidatura Cavallo. Nesta terça-feira, a permanência da candidatura de Ocampo será definida. Se ela não sobreviver, será a primeira vez na história que o peronismo não apresentará candidatos próprios, com exceção do período em que esteve proibido, nos anos 60.





