Aliados tentam manter unidade
Washington, 21 (AE-AP) - Sem nenhuma solução à vista nas frentes de diplomacia e bombardeio, os Estados Unidos e seus colegas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se esforçaram nesta sexta-feira (21) para remendar as diferenças em relação a Kosovo enquanto retratavam Belgrado e seu exército como próximos da derrota após 59 dias de ataques aéreos.
Em aparições com a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, o ministro de Relações Exteriores britânico Robin Cook disse que Londres e Washington estavam em harmonia na estratégia de Kosovo. E ele afirmou que as bombas da Otan estão atingindo a Iugoslávia com tanta força que "eu não vejo nenhum sinal de que o exército iugoslavo, no atual índice de atrito, conseguirá resistir até agosto ou setembro".
Até mesmo esta data é remarcável, considerando que muitos dentro da Otan acreditavam originalmente que sua campanha aérea se encerraria em semanas, e não em meses.
O calendário está influenciando o pensamento dos líderes da Otan por causa do tempo exigido para atingir cada um dos dois resultados em Kosovo antes do início do tipicamente rígido inverno balcânico: o retorno dos refugiados albaneses étnicos em Kosovo por meio de um acordo de paz ou entrar em Kosovo à força para encerrar o conflito.
O general Wesley Clark, mais importante comandante militar da Otan, disse ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, William Cohen, e aos chefes de serviço militar em reuniões particulares realizadas ontem no Pentágono que está chegando a hora de a Otan determinar quando tomará uma decisão sobre a utilização de tropas terrestres se todos quiserem resolver o conflito antes do inverno.
Kenneth Bacon, porta-voz de Cohen, disse que Clark não recomendou uma invasão por terra nem mudanças na estratégia da Otan. No entanto, ele disse a Cohen que pelo fato de não haver garantia de que a campanha aérea alcançará os objetivos da Otan no outono "você tem de abrir a possibilidade de olhar para outras opções".
Bacon disse também que a administração Clinton quer uma maior força de manutenção de paz da Otan acumulada na Macedônia, na fronteira com Kosovo, "o mais rápido possível". Ele disse que o corpo político da Otan, o Conselho do Atlântico Norte, deverá discutir, provavelmente no início da próxima semana, uma força de manutenção de paz composta por cerca de 50.000 soldados. Funcionários disseram que os Estados Unidos deverão participar com 7.000 ou 8.000 soldados.
Bacon disse que a parcela norte-americana da tropa de manutenção de paz poderia incluir a 26ª Unidade Expedicionária da Marinha, que atualmente está posicionada no Mar Adriático com cerca de 2.000 soldados equipados com grande variedade de armamentos.
A Otan descartara uma invasão terrestre, mas está seguindo com um plano revisado para uma força de manutenção de paz que garantiria o retorno dos albaneses étnicos e implementaria um acordo de paz. A questão que amedronta a Otan agora é sobre o que acontecerá se não houver acordo de paz. Poderá a aliança manter sua campanha aérea indefinidamente? Deveria ela planejar o envio de uma força terrestre a Kosovo no fim do verão ou início do outono presumindo que poderiam fazer com que os soldados sérvios não resistissem?
Para a última questão, a Grã-Bretanha diz sim. A administração Clinton diz não. E o chanceler alemão Gerhard Schroeder expôs novamente sua forte oposição ao envio de tropas terrestres pela Otan em Kosovo até que um acordo de paz seja alcançado.
No quartel-general da Otan em Bruxelas e em Washington, funcionários procuravam retratar o governo de Belgrado como estando prestes a ser derrotado, mesmo com o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic mostrando poucos sinais de que vá recuar.





