Rio, 30 (AE) - O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), disse hoje que os parlamentares da base aliada têm resistências em aprovar a proposta do governo federal que prorroga a cobrança da alíquota de 27,5% de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Ela será anunciada amanhã (31) pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. "O governo terá de explicar muito bem ao Congresso as razões que levaram à prorrogação", declarou Temer, após participar da abertura da XVII Conferência Nacional dos Advogados na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
"De alguma maneira, tenho resistência, mas não quero avançar nessa concepção, porque sou presidente da Câmara", declarou Temer. O vice-presidente Marco Maciel, que também participou do encontro, defendeu a proposta, argumentando que o projeto é um "recurso para melhorar a condição social do povo". "É uma solução para que o País supere seu déficit fiscal", disse.
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o partido vai organizar um movimento, dando sequência à manifestação da oposição intitulada Marcha dos Cem Mil, para mobilizar a sociedade contra a prorrogação da cobrança da alíquota de 27,5%. "Todo cidadão deveria criar vergonha na cara e lutar contra isso", disse Lula, convidado para a conferência. "Penalizar alguém que ganha R$ 2 mil é no mínimo usurpação. Um trabalhador que ganha R$ 1,5 mil e faz hora-extra para receber R$ 2 mil é cobrado, mas não recebe nada, como saúde e educação."
Segundo ele, é um "absurdo" que o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, admita a ineficiência do Estado em receber impostos de banqueiro e, em seguida, anuncie a prorrogação da manutenção da alíquota. "Vinte e cinco por cento já é muito", declarou Lula. Ele disse que o PT defende que os salários até R$ 1,5 mil não sejam taxados. "Eu sou favorável a uma escala: de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil seria cobrado 5%, de R$ 2 mil a R$ 4 mil 10% e, acima disso, 30% a 40%."

mockup