São Paulo, 12 (AE) - Dois vereadores de partidos supostamente aliados do governo municipal foram os responsáveis pela primeira derrota do prefeito Celso Pitta (sem partido) na guerra contra o impeachment. Toninho Paiva (PFL) e Maria Helena (PL), que participaram diretamente do governo e em troca integraram a base de sustenção política de Pitta, garantiram a aceitação das denúncias em acusação - o primeiro passo para a abertura do processo de impeachment.
Paiva controlou policamente a Administração Regional da Móoca até o início do ano, depois que ex-vereador e deputado federal, José Índio Ferreira do Nascimento (PMDB) já estava de mudança para Brasília. O pefelista, que integrou o grupo dos rebeldes, também havia indicado o ex-administrador do Parque Piqueri Luis Coelho - exonerado hoje - e tinha influência sobre um módulo do Plano de Atendimento à Saúde (PAS). "Eles estão tentando retaliar-me, mas é até bom eu não ter mais nada com esse governo", afirmou Paiva.
Oficialmente, o vereador diz ter mudado de posição porque "está na hora de os vereadores exercerem o seu mandato fiscalizando o Executivo". Na prática, Paiva já estava descontente com a falta de articulação política do governo e ausência de um grupo político forte que facilite a eleição do ano 2000. Além disso, o parlamentar também estava preocupado com as crescentes denúncias que estão desabando sobre a Câmara com a investigação da máfia dos fiscais. "Não estou preocupado, não, porque não faço nada irregular", defende-se, quando perguntado. Retaliação - A vereadora Maria Helena (PL) controlou politicamente as Administrações Regionais da Freguesia do à e de Santana - a última depois de Nelo Rodolfo (PMDB) ser eleito deputado federal pelo PPB. A parlamentar disse que não houve interferência alguma do partido, mas a direção do PL criou uma comissão para acompanhar os acontecimentos na Câmara e poderia assumir uma posição. Além disso, o ex-prefeito Paulo Maluf tem fortes ligações com a bancada municipal, estadual e federal do PL.
A vereadora deixou claro hoje que deve sofrer retaliações do Executivo, embora a Prefeitura negue qualquer medida nesse sentido. "Sei que serei retaliada e perseguida, mas não tenho medo e não sou covarde", afirmou. Apoio - O PFL apoiou a campanha de Pitta e indicou o candidato a vice-prefeito em 1996, o ex-deputado federal e desembargador Régis Fernandes de Oliveira. Além de Oliveria, o partido indicou o então deputado estadual Gilberto Kassab para a Secretaria do Planejamento e, depois, conquistou a Secretaria da Família e do Bem-Estar Social - uma estratégia de Maluf para atrair o apoio do partido para a sua candidatura ao governo do Estado.
Depois, o PFL inicou processo de afastamento gradual. As últimas críticas do presidente do Congresso, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), praticamente acabaram com qualquer possibilidade de reconciliação.

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