Brasília, 19 (AE) - Exatamente no dia em que completou 68 anos de idade, o presidente Fernando Henrique Cardoso ganhou o presente de aniversário que foi obrigado a acalentar desde que escolheu o delegado João Batista Campelo para dirigir a Polícia Federal: sua demissão voluntária, depois de pressionado por todos os lados por conta da denúncia de prática de tortura durante o regime militar. Os amigos de Fernando Henrique festejaram aliviados. Mas muitos outros problemas que presidente arrastou nos últimos 30 dias foram, e deram substância ao que os astrólogos chamam de inferno astral, prometem alongar o período.
Fernando Henrique terá de administrar o PMDB e seu ministro da Justiça, Renan Calheiros. O cabo-de-guerra do presidente com o partido para escolha de um novo nome para a direção da PF volta à estaca zero. Já na véspera do aniversário do presidente, o ministro da Justiça ensaiou reaproximação com o chefe do Gabinete Militar da Presidência, general Alberto Cardoso. Os dois protagonizaram o ínicio da briga pelo comando da PF, introduzindo o PMDB num novo confronto com o governo e, consequentemente, envolvendo os outros aliados. Desvio - "A relação do PMDB com os aliados está ficando cada vez mais difícil e isso aproxima o PSDB do PFL", avaliou o vice-presidente pefelista, senador José Jorge (PE). A recente troca de insultos entre o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), realçou os problemas que Fernando Henrique enfrenta em sua base de apoio político. Por outro lado, também ajudou a desviar a crise do Palácio do Planalto para o Congresso. "Brigas desgastam o meio político, mas tiram o foco do presidente", observou José Jorge.
O foco está agora atingindo o Supremo Tribunal Federal (STF), no mais novo round de confrontos institucionais, que envolve, desta vez, o presidente do Senado e os ministros do STF. Mas enquanto os holofotes permanecem dirigidos em posição contrária ao Palácio do Planalto, a CPI do Judiciário continuará investigando a relação de seu maior vilão, o juiz Nicolau dos Santos Neto, com o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas, auxiliar mais próximo de Fernando Henrique durante todo o primeiro mandato.
Nas últimas semanas, o presidente sofreu também o desgaste das brigas entre dois auxiliares diretos, os ministros da Saúde, José Serra, e da Previdência, Waldeck Ornélas; o golpe da divulgação da escuta telefônica clandestina de conversas suas com o ex-presidente do BNDES André Lara Resende sobre a privatização do sistema Telebrás; a péssima repercussão das viagens de lazer de seus ministros em jatinhos da FAB e, como se tudo isso fosse pouco, a queda livre nas pesquisas de avaliação de seu governo.
"O presidente precisa retomar a iniciativa das ações, para que o Congresso se debruce numa agenda positiva e as coisas comecem a melhorar", defendeu o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), ex-líder do governo no Congresso. Tarô - Na análise mística, Fernando Henrique é vítima da inveja e do negativismo de pessoas que o rodeiam. O tarô do presidente da República, no dia de seu aniversário, revelava que esse clima de negativismo e de disputa de pode começar a mudar a partir de agora.
Mas o presidente terá de romper esse cinturão de desgaste com mudanças em sua equipe, avalia o astrólogo Martius Americano do Brasil, interpretando as cartas do tarô. "Bem ou mal, o presidente está vivendo pressões que qualquer outro viveu neste momento do País, e a recuperação rápida que ocorrerá na economia o ajudará a recuperar sua popularidade", interpreta o astrólogo, garantindo que o presidente está protegido pela "Justiça Superior". Contraditoriamente, porém, faz uma previsão no mínimo sombria. "Ele vai terminar seu mandato, mas estará cercado de inimigos".

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