Aliados criticam declarações de Eliseu Padilha
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domingo, 07 de março de 1999
Por Gerson Camarotti e Tânia Monteiro 
Brasília, 08 (AE) - As lideranças dos partidos aliados no Congresso Nacional criticaram as declarações do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), que, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", alertou o presidente Fernando Henrique Cardoso para o risco de perder apoio da base caso tenha candidato próprio em 2002 e não conceda atenção igual aos projetos de todos os partidos. A opinião do ministro foi atacada por tucanos, pefelistas e petebistas, que perderam recentemente o cargo do ministro Paulo Paiva no ministério de Orçamento e Gestão.
"Falar em candidatura presidencial de 2002 agora?", comentou o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). "Esse é um assunto que sequer está na agenda e que só deve ser debatido em 2001", observou o senador pefelista referindo-se a uma precipitação do ministro Padilha. Dentro do PSDB a indignação foi maior. Para o deputado Roberto Brant (MG), um dos principais articuladores tucanos, o ministro não poderia ter emitido uma opinião pública sobre suas idéias. "Nos jornais quem fala são os líderes partidários e não ministros, que devem fazer sugestões e advertências diretamente ao presidente", atacou Brant. Para o deputado tucano, um ministro não pode ser representante dos interesses partidários, mesmo que tenha sido indicado por uma sigla.
"Ministros devem obediência ao presidente; questionamentos só quando sair do governo", observou. Em relação à advertência feita por Padilha sobre uma opção partidária do presidente em 2002, Roberto Brant foi enfático. "É natural que o presidente tenha um candidato do PSDB, afinal ele é filiado ao partido", argumentou. Para Brant, o PMDB não pode ficar questionando sobre atenção igual do governo entre os partidos aliados. "Eles não têm do que reclamar até porque estão desfrutando amplamente do poder", disparou Brant. "Tanto é verdade que eles cooptaram 20 deputados apenas com o instrumento de poder federal", acusou.
A mesma crítica é feita pelo líder do PTB na Câmara, deputado Roberto Jefferson (RJ). "É muita audácia do ministro Padilha dizer o que o presidente pode ou não fazer", criticou Jefferson. "Isso mostra que ele já está apostando no fim do governo", acrescentou. O líder do PTB não economizou ironia ao se referir ao ministro dos Transportes. "O nosso Rodolfo Valentino do terceiro milênio é muito sedutor para ficar aumentando a bancada do PMDB", atacou Jefferson que viu a bancada do PTB ser encolhida de 32 para 23 deputados.
Defesa - O vice-líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN) saiu em defesa do ministro Eliseu Padilha. "Poucos ministros têm a confiança do presidente como Padilha, tanto que ele é um dos principais interlocutores de Fernando Henrique junto ao Congresso Nacional", disse Henrique Alves. "Por isso, todas as suas opiniões devem ser levadas em consideração, já que sempre são no sentido construtivo", completou o peemedebista.
O porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, disse que o presidente concorda com a opinião do ministro Padilha, que se houver um atendimento de partidos determinados da base aliada em detrimento de outros poderá acontecer uma ameça na unidade da base. "Por isso o presidente Fernando Henrique tem mantido um equilíbrio de forças no governo", disse Amaral. O porta-voz disse que o presidente desconhece a existência direta de pressão feita por partidos da base. "Ele só tem conhecimento de pressão pelos jornais", declarou Sérgio Amaral.


